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Feira do Desapego Brasília 2015

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  A Feira faz parte do movimento “Gratificaria”, a Feira da Gratidão, que nasceu na Argentina e que tem acontecido em cada vez mais cidades ao redor do mundo, inclusive BH, Montes Claros, Ubá, Rio, Volta Redonda. Nessa feira as pessoas levam o que quiserem ou nada, e pegam o que quiserem ou nada. Cada um doa aquilo que tem em abundância para quem vai fazer bom uso. Não há noção de reciprocidade, cada um dá por dar sem esperar nada em troca, ou apenas recebe, sem “ter” que dar nada. É um espaço para questionar a ideia de escassez, e refletir sobre quanto é o suficiente, liberando-se do que é excesso. O QUE DAR (OU PEGAR) COISAS que eu não uso mais e que podem ter melhor destino nas mãos do outro: roupas, sa patos, Cds, brinquedos, livros, acessórios, coisas de casa, mudas de plantas... TALENTOS, o que eu sei fazer muito bem e quero compartilhar: música, dança, expressões artísticas e culturais, massagens, terapias, abraços, cafunés, quitutes e outras coisas gostosa...

Quase tudo

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Tarlei Martins   “Um livro aberto tem o exato desenho de duas asas. E quando se abrem as asas de um livro, quem voa somos nós. A bordo de um livro, sinto-me como se estivesse sendo guiado por um tapete mágico bordado de palavras do começo ao fim.” “Preciso dessa saída diária de mim para voltar com mais força ao meu eixo. Sem esse espraiar-se sedento por várias geografias humanas, eu dificilmente me reconheceria no que tenho de nítido e preciso. Para me encontrar por inteiro, preciso sair de mim. E, para sair de mim, nada melhor que o tapete mágico das palavras.” “Frase do Eduardo Giannetti que está no livro A ilusão da alma : ‘Fixado o centro, tudo o mais se ordena’. Sinto que tenho um centro. O meu centro é a leitura. É a leitura que alarga enormemente a minha circunferência existencial. A leitura é um passaporte precioso que permite a mais fantástica das viagens – que é a viagem de si a si mesmo.” “Escrever será sempre um ofício de artesãos pacientes. Não há pre...

Basófoba, eu?

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Luci Afonso Ele se senta ao meu lado na cama. A careca reluz em contraste à roupa preta. As olheiras profundas realçam os olhos escuros. A boca é pálida, quase transparente. — Quem é o senhor? — pergunto. — Sou o encarregado do seu caso no Departamento de Tombos e Quedas. Vim fazer o relatório diário. — Mas fiz o pedido há quatro meses... — O número de funcionários caiu muito — logo percebo sua pretensão a humorista. Ele pega a prancheta: — Sempre é tempo, não é mesmo? Vejamos... Hoje é 31 de outubro... Dia das Bruxas. Alguma ocorrência? — Levei um tombo hoje de manhã. — Tombo ou queda? — Qual a diferença? — Tombo é barulhento, espalhafatoso; queda é silenciosa, quase imperceptível. — É tombo mesmo. — Foi grave? — Não, apenas ralei joelhos e cotovelos. — Nível 1: escoriações leves localizadas. — É, mas tem um detalhe. — Qual? — Eu caí na faixa privativa dos ônibus e quase fui atropelada. — Então, nível 5: provável risco de vida. A senhora tev...

Pequena Grande Mãe

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Luci Afonso O nome “Isolda” tem origem incerta. Na versão grega, significa “a que protege”. É também o nome de uma princesa no poema épico “Tristão e Isolda”, inspirado numa lenda celta. Nome forte, antigo, impõe respeito, igualzinho à dona. Nos meus dois últimos anos na Câmara, trabalhei ao lado de Isolda no Cefor – Centro de Treinamento. Foi preciso coragem. Quando nervosa, ela é um perigo! Dava bronca em mim, no marido, na empregada, no marceneiro, na moça do telemarketing, em quem cruzasse o seu caminho. Mas a braveza passava logo, e o sorriso se abria. Trabalhava sem parar e não gostava de ver ninguém desocupado. Era extremamente objetiva, rigorosa, exigente, eficiente, superprodutiva. Enquanto eu fazia um texto, ela fazia quatro, e começava imediatamente a próxima tarefa. Quem a conhece sabe que ela faz mil coisas ao mesmo tempo – escreve poesia, declama, canta no coral, faz teatro, coordena grupos de dança circular, dá oficinas aos terceirizados da Câmara, ensi...

Mão na cabeça

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         Luci Afonso     — Mão na cabeça! — gritou a Sargento Ivone.   — Deitado no chão! — mandou o Soldado Bocca.   O ladrão ficou confuso. Os policiais repetiram as ordens. Na dúvida, ele se deitou no chão e pôs as mãos na cabeça, sendo logo algemado e conduzido à viatura.     O Cabo Elias aguardava ansiosamente a chegada do último camburão para saber se poderia dormir um pouco. Ouviu a primeira porta do veículo se abrindo; ouviu a segunda (o coração sempre disparava nessa hora); ouviu a terceira, o que significava que algum infeliz fora preso. Sentiu vontade de chorar: ficaria até de manhã sem dormir, lavrando a ocorrência nos mínimos detalhes. — Culpa sua.   Culpa sua! — ele reclamou ao colega de plantão, que não lhe dava sossego. No dia seguinte, andaria pela casa como um autômato, sem que o sono viesse. Isso ocorria pelo menos três vezes na semana, o que vinha lhe causando uma estafa pe...

Sobre o riso

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  Mikhail Bakhtin (linguista russo) [...] o riso tem um profundo valor de concepção do mundo, é uma das formas capitais pelas quais se exprime a verdade sobre o mundo na sua totalidade, sobre a história, sobre o homem; é um ponto de vista particular e universal sobre o mundo, que percebe de forma diferente, embora não menos importante [...] do que o sério; por isso a grande literatura deve admiti-lo da mesma forma que ao sério: somente o riso, com efeito, pode ter acesso a certos aspectos extremamente importantes do mundo.

Conservado78

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Luci Afonso — Você tem que usar batom vermelho, decote, salto alto. Beijar na boca, fazer sexo, muito sexo — minha terapeuta   recomendou. — Com quem? — perguntei. Depois de pensar um minuto, ela sugeriu: — Por que você não experimenta a Internet? — Você acha seguro? — Claro! É só mentir. Nada de Skype: é pretexto para sexo virtual. E não esqueça de estudar o perfil antes de fazer contato. Após uma breve paixão não correspondida por um rapaz bem mais jovem, meu alvo agora eram homens entre quarenta e oitenta anos, que procuravam mulheres na mesma faixa de idade. Cadastrei-me no site Plus Two, onde se encontram pessoas para amizade ou namoro no Brasil inteiro, incluindo lugares de que ninguém nunca ouviu falar, como Boca do Acre e Maurilândia, no Tocantins. Em 15 de julho, meu perfil entrou no ar: Bonitona54 . Procuro homens entre 40 e 80 anos exclusivamente para relacionamento amoroso. Recebi o primeiro e-mail do Plus Two:  ...