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Entrevista com Marco Antunes

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por Alexandra Rodrigues É uma hora da tarde de uma sexta-feira de novembro. Marco Antônio Antunes acaba de conduzir o ciclo de poesia, o último dos horários dessa manhã preenchidos com oficinas de conto, poesia e crônica. A despeito da longa manhã literária, mostra-se totalmente disponível e disposto para uma entrevista, na acolhedora sala do Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara dos Deputados, em Brasília. 1. Com uma identidade inseparável da existência literária, quem é Marco Antunes, poeta e contista? De onde ele vem e qual o seu projeto literário? Quem eu sou não sei te dizer. Eu não tenho essa consciência que a gente vê em Drummond, que consegue, na primeira página do livro, fazer um projeto literário que irá cumprir até o final da vida, a ponto de chegar em seu último livro, colocar o título de Farewell e ser realmente o último livro. Talvez por isso, ao contrário de Drummond, que conseguiu se resumir de pronto em sete grandes temas, eu tenha feito meu ...

Uma mulher que escreve

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                                               onça Verunschk  (Micheline                                                                Verunschk) você já observou uma mulher que escreve durante o ato da escrita? já viu como emana dela luz e poder que não são de outra estrela senão dela mesma e do que conseguiu angariar como alimento, asteroides seiva outros corpos em expansão? os pontos luminosos dos seus olhos se abrindo e fechando em fractais de energia puríssima? você já se surpreendeu  com uma mulher que escreve durante o ato mesmo da escrita? já viu a simplicidade da mão marcando o papel sob a força  da tecla ou da caneta como se fosse um exercício fáci...

Poema, crônica e conto

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Marco Antunes Poema: borboleta viva capturada num vidro Crônica: borboletas, cobras e lagartos vivos capturados num vidro Conto: borboleta seca dentro de um livro  (Encontrado em antigas notas de Oficina de Poesia)

Ponto de tecer poesia

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Todo amor é um vestido que parece ser bordado com ponto de alinhavo. Todo amor rasga à toa. Todo fiapo avoa como pena de passarinho. Ai, meu vestido de linho, ai, meu vestido de renda, ai, meu vestido rasgado... Será que você remenda este vestido tão branco, de noivado? Sylvia Orthof.  Ponto de tecer poesia . Ilustrações: Tatiana Paiva.São Paulo: FTD. 2010                                  (Áudio também disponível na página "Texto e Voz".)                    

Poesia e Poema

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Octavio Paz “Nem todo poema contém poesia. Há máquinas de rimar, mas não de poetizar. Por outro lado, há poesia sem poemas; paisagens, pessoas e fatos muitas vezes são poéticos: são poesia sem ser poemas. Quando a poesia se dá como condensação do acaso ou é uma cristalização de poderes e circunstâncias alheios à vontade criadora do poeta, deparamos com o poético. Quando o poeta é o fio condutor e transformador da corrente poética, estamos na presença de uma coisa radicalmente diferente: uma obra. Um poema é uma obra. O poético é poesia em estado amorfo: o poema é criação, poesia erguida, ponto de encontro entre a poesia e o homem.”