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Vamos brindar

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Luci Afonso Ela passa o café, põe na xícara e vai até a janela rústica da cozinha, que dá vista para o quintal. Veste uma blusa branca de algodão e soltou o cabelo. Acabou de escrever um poema. Observa, ao longo do córrego que atravessa a fazenda, os galhos das árvores balançando quase em câmera lenta. Não há dúvida em seu coração.   A notícia chega pelas redes sociais. Só pode ser engano: após lutar quarenta dias na UTI devido a um infarto, morreu a jovem poeta de fala mansa, voz de veludo, sorriso constante. Em seguida, o filho, que não suportou viver sem a mãe, se matou e foi sepultado junto dela.  Meio distraída, meio maluca, como são os poetas, quando apresentava um sarau, não tinha hora para começar, não seguia nenhuma ordem aparente e terminava sempre em forró. Gostava tanto de falar em público que às vezes era preciso interrompê-la para que outros tivessem vez. Amava as pessoas humildes, de pouca instrução, pois muitas delas nunca haviam tocado num livro...

Poema em flor maior

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Anabe Lopes O amarelo do ipê sobre o chão vermelho do cerrado Prenuncia o fim da aridez na alma da cidade Enfim, hão de vir as primeiras chuvas... Águas coloridas e perfumadas de primavera Reverdecerão os gramados do plano alto de Brasília Caem as últimas flores do ipê, Cessam os ventos e os dias são mais quentes, Adormeço a espera da primavera que virá... Sonho a umidade do beijo da chuva... Rociando humanidades em gotas pelo ar. Vivas flores de vivas cores de manhãs de primavera Correm vera no meu sangue. O cheiro da terra molhada, e o sol nascente Faz germinar a poesia e a semente E revela a beleza da espera Delonix regia, vem re-velar o mistério inexplorado, Escondido nas entrequadras dos nossos desejos. Em cada flor revela e oculta um beijo... E há tantas flores... Incandescentes olores Ainda flamejam nos olhares... A divina flor do paraíso! Dá a cor e tira o siso. Flamejante volto à infância, onde flamejam as últimas flores da estação... Espadas pendem dos galhos e flores forr...

Linguagem

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Anabe Lopes Busco nos recônditos da lembrança a linguagem da plebe em que fui formada e linguagem do amor e da dor em que fui gerada Sorverei o perfume dessa flor teimosa Que vomitará o tédio, Sobre o negro asfalto, De piche, de pedra e de sangue Ela expressará o sentido da seiva corrente nas artérias do homem morto sob o asfalto que fará nascer uma esperança amarela De um futuro negro, E haverá mais flores rompendo o nojo Teimosas e amarelas flores Amarela esperança. Decifrará dor de que somos feitos Desfará o nó de existir Despencará no mundo escurecido Iluminado canto alegre de pássaros teimosos ao nascer de um dia teimoso e ensolarado que vencerá a poluição e simplesmente brilhará!!

Canção de amor

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Anabe Lopes Te encontro no beijo do vento, um sopro no tempo. Nos olhos da lua te vejo, a todo momento. Almas de flores flutuam, no céu de um abraço. No abraço um beijo de vida, remanso, riacho. Mágica essência da terra, desliza o momento. A voz suave da chuva, sussurra o teu beijo. Olho no céu um lampejo, no azul horizonte Da água que escorre em meu corpo, renasce um desejo. Da espuma das ondas do mar, divino carinho. Ao som dessas águas azuis, grito seu nome. E o mar te entrega um segredo, na areia da praia. E na eternidade das ondas, eu posso te ter.

Silêncio

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Anabe Lopes E de repente acordei E tudo era silêncio Um silêncio que cortava o corpo do sonho ao meio Uma enorme cachoeira silenciosa Os pássaros ensaiavam os sons e produziam só o silêncio e o silêncio reproduzia um grito de dor As crianças vinham a mim sorrindo e suas palavras silenciosas calavam mais a minha alma que vertia lágrimas silenciosas E a nossa música passou a ser o silêncio... Tenho (?) 41 anos e 4 filhos. O tempo que tenho é o que virá, se vier,e passará, porque quando paramos para pensar o agora ele já é passado. Os filhos são do mundo e os consagro a Deus, e que sejam atores e construtores da vida e da fé. A poesia é minha forma de provar intensamente a vida, de vivenciar a sensação de habitar o espaço entre o ser o não ser, o crer e o não crer, o viver o não viver, o fazer e o não fazer... o dizer e o não dizer; esses espaços plenos de sentimento de mundo em que nossas almas dançam entre a realidade e o sonho. É minha forma de não calar, mesmo sabendo que a palavra es...