Poesia, preservação da infância
Henriqueta Lisboa Sem desconhecer a aspereza dos nossos tempos, a poesia permanece no campo do existir como fenômeno de equilíbrio, compensação e recompensa, com a faculdade de preservar a infância. Eventualmente, a poesia pode inspirar-se em tom menor — por que não? — e revestir-se de ternura. É através da imaginação que se atinge, muitas vezes, a etapa da lucidez. Assim, dar asas à imaginação não é fechar os olhos a verdades patentes, mas abri-los para o mundo subjetivo, sempre mais vasto, profundo e sutil, capaz de enfrentar, interpretar, compreender, remover e reformular circunstâncias exteriores. Em meio a tantas mutações sociais e revoluções tecnológicas, o homem, natureza perene, tanto mais consciente de seu destino humano e de sua vocação integral, resguarda e restaura (pelo menos tem a possibilidade de fazê-lo) os dons essenciais do sentimento e da sensibilidade, sempre susceptíveis de aperfeiçoamento. Por isso, a devoção às letras de um poeta como Bartolomeu C...