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Mulheres maduras

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                                                                      Isolda Marinho   Mulheres maduras usam sapatos de cor e assumem riscos, quando os retiram para refrescarem os pés em um riacho de água mansa. Desligam seus telefones para que nada interrompa a beleza deste momento. Elas são senhoras de si mesmas. Dispensam sutiã e caminham como garça que conhece a trilha dos poderosos. Não ligam para lençóis mal dobrados ou vincos não marcados. Não se preocupam com relógios que não são despertadores nem com envelopes sem remetente. Mulheres maduras são quase puras. Às vezes, semideusas. Ainda que tenham gestos frívolos, não perdem a sabedoria. Não têm aureola no alto da cabeça, mas sabem usar a cabeça quando querem impressionar com o coraçã...

Pequena Grande Mãe

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Luci Afonso O nome “Isolda” tem origem incerta. Na versão grega, significa “a que protege”. É também o nome de uma princesa no poema épico “Tristão e Isolda”, inspirado numa lenda celta. Nome forte, antigo, impõe respeito, igualzinho à dona. Nos meus dois últimos anos na Câmara, trabalhei ao lado de Isolda no Cefor – Centro de Treinamento. Foi preciso coragem. Quando nervosa, ela é um perigo! Dava bronca em mim, no marido, na empregada, no marceneiro, na moça do telemarketing, em quem cruzasse o seu caminho. Mas a braveza passava logo, e o sorriso se abria. Trabalhava sem parar e não gostava de ver ninguém desocupado. Era extremamente objetiva, rigorosa, exigente, eficiente, superprodutiva. Enquanto eu fazia um texto, ela fazia quatro, e começava imediatamente a próxima tarefa. Quem a conhece sabe que ela faz mil coisas ao mesmo tempo – escreve poesia, declama, canta no coral, faz teatro, coordena grupos de dança circular, dá oficinas aos terceirizados da Câmara, ensi...