Árvore
Luci Afonso Não sei o seu nome, árvore, mas te amo desde que joguei a semente à terra e esperei que brotasse. Enquanto lhe dava água, eu também saciava a minha sede. Tão pequena e tão generosa! A sombra miúda já abriga uma criança. Suas folhas demoraram a aparecer. Você foi a última a ter folhas verdes no tronco seco e aparentemente morto. Quiseram te arrancar do jardim, eu não deixei. Reguei-a duas vezes por dia, pedindo em silêncio que você nascesse. Até que despontaram suas folhas. No dia seguinte, estavam maiores, e continuaram crescendo até que você se tornou a árvore mais alta do jardim. Ainda não sei seu nome, mas converso com você de manhãzinha, enquanto o sol nasce e as pessoas despertam. Você é a minha nova razão de viver. ...