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Árvore

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  Luci Afonso   Não sei o seu nome, árvore, mas te amo desde que joguei a semente à terra e esperei que brotasse. Enquanto lhe dava água, eu também saciava a minha sede. Tão pequena e tão generosa! A sombra miúda já abriga uma criança. Suas folhas demoraram a aparecer. Você foi a última a ter folhas verdes no tronco seco e aparentemente morto. Quiseram te arrancar do jardim, eu não deixei.   Reguei-a duas vezes por dia, pedindo em silêncio que você nascesse. Até que despontaram suas folhas. No dia seguinte, estavam maiores, e continuaram crescendo até que você se tornou a árvore mais alta do jardim. Ainda não sei seu nome, mas converso com você de manhãzinha, enquanto o sol nasce e as pessoas despertam. Você é a minha nova razão de viver.                                                        ...

Amor encontrado

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  Luci Afonso   Tenho escrito tanto sobre o amor perdido que esqueço de falar do amor encontrado. O pé de camélia me oferece uma flor todo dia. Eu a recolho da grama e a coloco em oferenda ao Buda na entrada da casa. Os pés de jabuticaba e de romã estão cheios de brotos.   Eu os visito pela manhã e à noitinha. A bela jovem me tira para dançar no baile de carnaval. A pureza do gesto me comove. A adolescente me abraça e alisa meu cabelo. Como minha avó fazia. As crianças, os velhos e os gatos me ensinam a viver. Eu aprendo. A mãe planta ipês e damas-da-noite no jardim. Eu os vejo brotar e crescer, como tenho feito em sessenta anos de vida. O vento sacode meus colares pendurados nas árvores. O reflexo das miçangas enfeita as paredes. O sol atravessa as lantejoulas e ilumina o quintal. A dança das luzes me energiza. A água refresca as plantas. Sacio minha sede junto com elas. A lua cheia promete momentos felizes.   Há muito tempo não observamos ...