A Maldição
Mônica Thaty Não sei como aconteceu. Era para ser uma linda manhã de primavera. Mas acordei e percebi que tinha virado a minha mãe. Eu, uma jovem e promissora advogada, reduzida a uma dona-de-casa com três filhos egocêntricos e um marido acomodado? Eu, que tinha um futuro brilhante pela frente, passar os dias areando panelas, lavando vidraças, guardando roupas espalhadas pela casa? Sim, aconteceu. Inexplicavelmente, como eu já disse. E, confesso, entrei em pânico. Olhar aquela imagem no espelho e não me reconhecer. Aquelas rugas todas ao redor dos olhos e da boca. No pescoço! Aquelas dobras a mais na cintura. As varizes que formavam um suave mapa hidrográfico nas minhas coxas outrora malhadas e com a penugem dourada de sol. Eu queria meu corpo de volta, meus pensamentos, minhas vontades. Como havia acontecido aquilo? A resposta era óbvia. Se eu estava no corpo de minha mãe, ela deveria ter entrado no meu. Não é assim que acontece no cinema? E como ela deveria estar? Coitadinha! Talvez ...