Poesia e Emoção
Marco Antunes “O que em mim sente, está pensando” Fernando Pessoa Há poucas semanas escrevi um pequeno poema de teor modernista, quase um poema-piada, que, como seus antepassados da lavra dos poetas da primeira geração modernista no Brasil, não deixou de causar uma certa celeuma. Assunto que mantenho com intransigente convicção no que se refere à minha obra e, em geral, à obra de todos os poetas que, de fato, aprecio e pego para ler por vontade e não obrigação. Dizia o poema: “Poeta emocionado? Ora, me poupe! / Senhor florista, as flores têm que exalar perfume é na casa do freguês.” Foi o que bastou para entrar em diversas conversas com pessoas que não gostaram da opinião ou simplesmente me pediam explicação. Não tem muito a explicar, não. É profissão de fé mesmo! Só acredito que a emoção esteja pronta para o poema depois de ter sido considerada pelo pensamento, filtrada na razão, reduzida a símbolo que faça um bom diálogo com os grandes mitos eternos. Antes ...