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Poesia e Emoção

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Marco Antunes “O que em mim sente, está pensando” Fernando Pessoa Há poucas semanas escrevi um pequeno poema de teor modernista, quase um poema-piada, que, como seus antepassados da lavra dos poetas da primeira geração modernista no Brasil, não deixou de causar uma certa celeuma. Assunto que mantenho com intransigente convicção no que se refere à minha obra e, em geral, à obra de todos os poetas que, de fato, aprecio e pego para ler por vontade e não obrigação. Dizia o poema: “Poeta emocionado? Ora, me poupe! / Senhor florista, as flores têm que exalar perfume é na casa do freguês.” Foi o que bastou para entrar em diversas conversas com pessoas que não gostaram da opinião ou simplesmente me pediam explicação. Não tem muito a explicar, não. É profissão de fé mesmo! Só acredito que a emoção esteja pronta para o poema depois de ter sido considerada pelo pensamento, filtrada na razão, reduzida a símbolo que faça um bom diálogo com os grandes mitos eternos. Antes ...

10 Considerações sobre Poesia

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Conselhos que sempre dou em minhas oficinas Marco Antunes 1-Jogos de palavras são um primarismo batido. Nelson Rodrigues aconselhava os novos autores a não fazerem “literatice” e completava que o brasileiro é fascinado pelo chocalho da palavra. Está certo! Coisas como Encantadora Mente e tais são de um simplismo constrangedor. Costumo dizer em aula que o adorável versinho de Quintana “Eles passarão, eu passarinho” é um lindo achado, mas raro, raríssimo e não é para amadores, poucas vezes dá certo. 2-Há quem diga que poesia é apenas música, mas contra isso tem a voz do mestre modernista Bandeira: “Clame a saparia em críticas céticas: ‘Não há mais poesia!’ Mas há artes poéticas”. É isso: musicalidade, com ritmo fixo ou contextual, é importante, mas há poemas como os de Whitman, Álvaro de Campos e outros que se fazem com ritmo dramático de monólogo ou solilóquio. Apenas musicalidade com ritmo e rima dificilmente geram um bom poema. Drummond, por exemplo, várias vezes comp...

Meu depoimento para uma tese de doutorado

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Marco Antunes Um postulante a doutorado pede-me que, como animador cultural, agente de divulgação literária e escritor, responda de modo objetivo 20 perguntas para sua tese de doutorado. Como sou apenas um dos 100 escolhidos de diversas áreas, em todo o Brasil, para responder à entrevista, ele me deixou livre para divulgar minhas respostas. Então, aqui seguem 10 que considerei interessante compartilhar.(transcrição do depoimento oral) 1-Comparado ao resto do mundo, em sua área de atuação cultural, como vê a situação do Brasil? Resposta- Empobrecida intelectualmente por uma educação deficiente, por políticas culturais que privilegiam eventos (com finalidade mais de divertimento que de formação) e obras, sem espaço para   oficinas e formação técnica e filosófica de potenciais escritores, tudo somado ao fato de que, por décadas, houve uma impiedosa, unilateral e sem dialética doutrinação de esquerda, a intelectualidade brasileira tornou-se pobre, desatualizada e pa...

Segundo encontro do Clube de Leitura para Mulheres Maduras

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Clube de Leitura para Mulheres Maduras Segundo encontro Autores brasilienses – Alexandra Rodrigues Segunda-feira, 10 de fevereiro 19h Café da Livraria Sebinho, 406 Norte, Bloco “C” Aberto ao público

Clube de Leitura para Mulheres Maduras

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Clube de Leitura para Mulheres Maduras Primeiro encontro Autores brasilienses: Alexandra Rodrigues Quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020 19h Café da Livraria Sebinho, 406 Norte, Bloco “C” Aberto ao público

Vigas metafísicas

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Tarlei Martins “Eles eram muitos cavalos” percorre em um dia as entranhas da cidade de São Paulo, da gente que vive naquela “metrópole apressurada” – como é chamada pelo também mineiro, e também escritor, Evandro Affonso Ferreira. Nada escapa ao olhar do Ruffato. Por conta da imensidão que é essa “metrópole apressurada”, o olhar tem de ser um olhar caleidoscópico. Ruffato se sai muitíssimo bem do desafio. Coloco "Eles eram muitos cavalos" na categoria dos clássicos fundamentais. Tomo emprestada a definição de clássico que ouvi de José Miguel Wisnik: "Clássico é que aquele tipo de obra que não cessa de renovar sua atualidade". Na minha leitura, foi com esse livro que o Ruffato redesenhou sua trajetória de escritor de ficção. O que veio depois foi a pentalogia “Inferno provisório”, em tudo magistral. O “Inferno...” compõe-se de “Mamma, son tanto felice”, “O mundo inimigo”, “Vista parcial da noite”, “O livro das impossibilidades” e “Domingos sem Deus”. ...