É crônica tudo aquilo que for manchete na alma do cronista
Prefácio à primeira edição de Velhota, eu? Marco Antunes A melhor definição que se pode oferecer de crônica vale-se da característica fortemente jornalística do gênero para afirmar que é crônica tudo aquilo que for manchete na alma do cronista. Desabem sobre o mundo as torres da insensatez humana, para o cronista, no entanto, sem traumas ou vergonha, a grande notícia do dia pode ter sido a morte de um simples quati na garagem de seu prédio. Se a dor do escritor não pode, sob certa medida, competir com o peso dramático das muitas vidas que se perdem nas longas e insanas guerras mundo afora, pode, por seu turno, ostentar a certeza de toda a dor sobrestante de suas batalhas pessoais. Que pode o mundo contra seus olhos? Ou, mais grave, que peso há de ter a dor do mundo se lhe dói de amor um coração? Repórter desse drama microscópico, ele, o cronista, nos envia do fronte o desesperado relato de uma flor que sucumbe à indiferença da tarde. É essa sua manchete! E que não lhe ...