Amor encontrado
Luci Afonso Tenho escrito tanto sobre o amor perdido que esqueço de falar do amor encontrado. O pé de camélia me oferece uma flor todo dia. Eu a recolho da grama e a coloco em oferenda ao Buda na entrada da casa. Os pés de jabuticaba e de romã estão cheios de brotos. Eu os visito pela manhã e à noitinha. A bela jovem me tira para dançar no baile de carnaval. A pureza do gesto me comove. A adolescente me abraça e alisa meu cabelo. Como minha avó fazia. As crianças, os velhos e os gatos me ensinam a viver. Eu aprendo. A mãe planta ipês e damas-da-noite no jardim. Eu os vejo brotar e crescer, como tenho feito em sessenta anos de vida. O vento sacode meus colares pendurados nas árvores. O reflexo das miçangas enfeita as paredes. O sol atravessa as lantejoulas e ilumina o quintal. A dança das luzes me energiza. A água refresca as plantas. Sacio minha sede junto com elas. A lua cheia promete momentos felizes. Há muito tempo não observamos ...