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Poesia e Poema

Octavio Paz
“Nem todo poema contém poesia. Há máquinas de rimar, mas não de poetizar. Por outro lado, há poesia sem poemas; paisagens, pessoas e fatos muitas vezes são poéticos: são poesia sem ser poemas. Quando a poesia se dá como condensação do acaso ou é uma cristalização de poderes e circunstâncias alheios à vontade criadora do poeta, deparamos com o poético. Quando o poeta é o fio condutor e transformador da corrente poética, estamos na presença de uma coisa radicalmente diferente: uma obra. Um poema é uma obra. O poético é poesia em estado amorfo: o poema é criação, poesia erguida, ponto de encontro entre a poesia e o homem.”
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Nova Senhora dos Gatos

Está pronta a segunda edição da Senhora dos Gatos. Você está pronto para essa beleza? Ilustrações: Márcia Bandeira e Lelo Projeto gráfico: Patricia Meschick Prefácio: Alexandra Rodrigues


Pedidos: luciafonso99@gmail.com

CRÔNICA & VOZ (página acima)


A testemunha, na voz de Cristina Leme.
Comentário
“Lindo e melancólico. Um jeito de Luci que volta a perscrutar a alma das coisas, aparentemente por acaso. A percepção do detalhe e das possibilidades do homem em seu mundo habitual. Tantas secas que esperam por diferentes chuvas... Nossa! Que simplicidade linda mesmo. Mas decididamente melancólica.”
Cinthia Kriemler, escritora



Poemas Amantes, na voz de Cristina Leme.
Comentário
Poemas Amantes é uma pequena obra-prima? Poderá ser, mas não apenas por ser pequeno, o molde de texto mais apreciado deste século: que se bebe de um trago, como umas gotas de nevoeiro, uma taça de espumante, ou a hóstia na boca da beata. (...) além da perfeição formal, da síntese de conteúdo, (...) prova que o clarão poético que brilhou em salões de Paris, do Rio ou do Porto nas mortas noites de novecentos pode ressurgir ou ressuscitar.”
Antero Barbosa, Portugal, no ensaio Nocturno em Sol Maior, sobre a 1ª edição de Velhota, eu?) Lei…

Conto, história, crônica em Fernando Sabino

Com a designação um tanto circunstancial de conto quando na terceira pessoa, história quando experiência pessoal e crônica quando em tom reflexivo, pode-se dizer que na verdade se trata de um gênero literário próprio, peculiar a Fernando Sabino: um relato curto de fatos colhidos da realidade, com tratamento de ficção, em linguagem nítida, sem os ornatos da retórica tradicional, mas de técnica apurada e respeito aos requisitos da clareza, concisão e simplicidade. São episódios, incidentes, reminiscências, reflexões, encontros e desencontros por ele vividos na sua “aventura do cotidiano”, apresentados com rica inventiva, como se o próprio leitor participasse —, nisso residindo o seu maior fascínio. Sob a aparente singeleza, transparecem a sensibilidade, o humor, a ironia, às vezes o espírito satírico — mas sobretudo a solidária simpatia com que o autor surpreende o que há de belo, delicado ou hilariante na natureza humana.

(Texto exibido na contracapa de “Os melhores contos de Fernando S…

Anseios crípticos

Tarlei Martins
[Porque hoje é dia dele, sua majestade, o Livro]
Acredito que somos todos especialistas em leitura. No entanto, há um mundo de textos escritos em linguagem críptica que mal soletro. Eu não consigo ler o que as células estão escrevendo no secreto de mim.
Eu não consigo ler o que as galáxias estão escrevendo nas espirais de si mesmas.
Eu não consigo ler o que está escrito no meu inconsciente – e que me comanda.
Eu não consigo ler o que está escrito nas estrelas.
Eu não consigo ler o recado dos sonhos.
Eu não consigo ler a lógica das emoções.
Eu não consigo ler o sentimento de uma árvore.
Eu não consigo ler o pensamento de uma mesa.
Eu não consigo ler o alfabeto da matéria.
Eu não consigo ler o código da vida.
Eu não consigo ler a órbita dos planetas.
Eu não consigo ler a mecânica celeste.
Eu não consigo ler a física quântica.
Eu não consigo ler a origem do universo.
Eu não consigo ler a origem das espécies.
Eu não consigo ler o avesso das palavras.
Eu não consigo ler o percurso dos vent…

Vamos brindar

Luci Afonso
Ela passa o café, põe na xícara e vai até a janela rústica da cozinha, que dá vista para o quintal. Veste uma blusa branca de algodão e soltou o cabelo. Acabou de escrever um poema. Observa, ao longo do córrego que atravessa a fazenda, os galhos das árvores balançando quase em câmera lenta. Não há dúvida em seu coração.  
A notícia chega pelas redes sociais. Só pode ser engano: após lutar quarenta dias na UTI devido a um infarto, morreu a jovem poeta de fala mansa, voz de veludo, sorriso constante. Em seguida, o filho, que não suportou viver sem a mãe, se matou e foi sepultado junto dela.  Meio distraída, meio maluca, como são os poetas, quando apresentava um sarau, não tinha hora para começar, não seguia nenhuma ordem aparente e terminava sempre em forró. Gostava tanto de falar em público que às vezes era preciso interrompê-la para que outros tivessem vez. Amava as pessoas humildes, de pouca instrução, pois muitas delas nunca haviam tocado num livro. Explicava-lhes, com pac…

Para ser escritor é preciso ser inquieto

Entrevista com João Anzanello Carrascoza Texto: Ana Holanda (trechos) Revista “Vida Simples”, junho 2017
Como a escrita aconteceu na sua vida?
Ela apareceu pela leitura. Primeiro pela leitura do mundo, depois pela oralidade, ao ouvir as histórias contadas. Em seguida, quando aprendi a ler, vieram os livros. Sendo leitor, à medida que lia e ouvia, queria também pôr algo a mais naquelas histórias. E contar para o outro é contar com aquilo que você tem dentro. Então você já conta diferente. Me encantava fazer isso. Eu não sabia, mas já estava escrevendo.
A escrita passa por um filtro individual?
Sim. Várias pessoas podem ler o mesmo fato, sentir de maneiras diversas e relatar de modos diferentes. Cada um tem a sua maneira de sentir, pode ser mais ou menos afetado por aquele fato. Isso tem a ver com a sensibilidade diante das coisas. À medida que você lê o mundo, o está escrevendo.
De onde brota a inspiração para construir uma história?
Da vida. O mundo em que você vive te impacta, te afeta de di…