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A Fada Azul e a quarentena

Luci AfonsoA Fada Azul andava chateada. Não podia acompanhar Pinóquio, o boneco de madeira que transformara em menino de verdade, porque a cidade das Fadas estava em quarentena, por causa de um perigoso mosquito que transmitia várias doenças, entre elas a Perda Permanente dos Dons de Fada. Se uma delas fosse picada, seu poder mágico ia diminuindo aos poucos, até acabar. Ela se tornava uma duende comum, sem poderes, e ficava sem trabalho.A quarentena já durava meses. Ninguém podia sair da sua flor, nem passear nas florestas e jardins. Por todo lado havia outdoors: Fique na sua flor. As crianças andavam tristes sem suas amiguinhas, e muita coisa ruim acontecia sem a proteção delas. Até que um dia surgiu uma novidade vinda lá da China, onde a comunidade das fadas era bem organizada e há muito tempo usava a moderna tecnologia. Essa novidade era o Passe Mágico Online: elas podiam abençoar, proteger, vigiar e realizar desejos das crianças através da infadanet.A Fada Azul ficou feliz. Agora,…
Postagens recentes

Aninha e o ursinho falante

para Aninha
Luci Afonso
Aninha era uma menina curiosa e inteligente. Queria saber sobre o mundo. Gostava de desenhar, de colorir, de fazer aquários, de descobrir coisas. Um dia, Aninha ganhou um urso de pelúcia. Era grande, branco e usava uma gravatinha cinza. Quando o urso chegou, logo ganhou um nome: Tobii, com dois iis. Ela brincou com ele e depois o deitou na cama, do lado da parede. Quando voltou ao quarto depois do almoço, ele estava aos pés da cama, embrulhado no cobertor. Ela achou muito esquisito, porque ela não tinha mexido nele. Como é que ele mudara de lugar sozinho e, ainda mais, embrulhado no cobertor? Perguntou à mãe, que disse que não tinha sido ela. Perguntou ao pai... É mesmo, esqueci de dizer que a família estava em quarentena, isto é, não podiam sair de casa por causa de um vírus que pegava todo mundo, e algumas pessoas até morriam. O pai também estava em casa, e disse que não tinha mudado o ursinho de lugar. A Dona Lenice, diarista, não estava indo trabalhar por causa …

Julia e o macaquinho guloso

Para Julia Luci Afonso
Julia acordou cantando, como sempre fazia. Quando abriu a janela do quarto, lá estava Job, esperando o café da manhã. Deitado no parapeito da janela, a perna dobrada em cima da outra, balançando o rabo preguiçosamente. — Tô com fome — ele disse, antes mesmo de dar bom dia. — Bom dia, né, Job? — ela corrigiu. — Ah, bom dia, Julinha! Tô com fome! Ela foi até a cozinha, cantando, preparar o café da manhã. Primeiro, o mingau do Job, com aveia e granola, bem saudável. Depois, o mingau dela, que era igual. — Esse mingau de novo? — ele reclamou. — É, Jobinho, te faz bem, te deixa forte. Eu mesma fiz. — Não tem uma bananinha aí, não? — Banana te faz mal, você sabe. Julia passava o dia na escola, que agora estava fechada. Todos estavam em quarentena por causa de um vírus perigoso, que adoecia e às vezes até matava as pessoas. Job ficou feliz porque assim passavam o dia inteiro juntos. Sempre que ela abria a janela do quarto, lá estava ele deitado, a perna em cima da outra, o rabo b…

Brincando de Poesia - 03.05.2020

Receita de espantar a tristeza
Roseana Murray
Faça uma careta e mande a tristeza pra longe pro outro lado do mar ou da lua


vá para o meio da rua e plante bananeira faça alguma besteira
depois estique os braços apanhe a primeira estrela e procure o melhor amigo para um longo e apertado abraço.



Duas Dúzias de Coisinhas à Toa Que Deixam a Gente Feliz
Otávio Roth

Passarinho na janela, pijama de flanela, brigadeiro na panela.


Gato andando no telhado, cheirinho de mato molhado, disco antigo sem chiado.
Pão quentinho de manhã, drops de hortelã, grito do Tarzan.
Tirar a sorte no osso, jogar pedrinha no poço, um cachecol no pescoço.


Papagaio que conversa, pisar em tapete persa, eu te amo e vice-versa.
Vaga-lume aceso na mão, dias quentes de verão, descer pelo corrimão.
Almoço de domingo, revoada de flamingo, herói que fuma cachimbo

COLIVRINHO-20 - Receita de espantar a tristeza - Roseana Murray

Roseana Murray Faça uma careta e mande a tristeza pra longe pro outro lado do mar ou da lua
vá para o meio da rua e plante bananeira faça alguma besteira
depois estique os braços apanhe a primeira estrela e procure o melhor amigo para um longo e apertado abraço.

COLIVRINHO-20 - Duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz

Passarinho na janela, pijama de flanela, brigadeiro na panela.
Gato andando no telhado, cheirinho de mato molhado, disco antigo sem chiado.
Pão quentinho de manhã, drops de hortelã, grito do Tarzan.
Tirar a sorte no osso, jogar pedrinha no poço, um cachecol no pescoço.
Papagaio que conversa, pisar em tapete persa, eu te amo e vice-versa.
Vaga-lume aceso na mão, dias quentes de verão, descer pelo corrimão.
Almoço de domingo, revoada de flamingo, herói que fuma cachimbo.
Anãozinho de jardim, lacinho de cetim, terminar o livro assim.

Brincando de poesia - O pássaro azul e outros poemas - 26.04.20

O Pássaro azul
Isabel Furini

Um pássaro azul cantava uma canção engraçada.
O sabiá ouvia e se divertia.
A cotovia, também ouvia e ria. Ha,ha,ha,ha,ha,ha,ha.
Falou o bem-te-vi: - O pássaro azul espalha alegria!
A língua do Nhem
Cecília Meireles Havia uma velhinha que andava aborrecida pois dava a sua vida para falar com alguém.
E estava sempre em casa a boa velhinha resmungando sozinha: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…
O gato que dormia no canto da cozinha escutando a velhinha, principiou também a miar nessa língua e se ela resmungava, o gatinho a acompanhava: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…
Depois veio o cachorro da casa da vizinha, pato, cabra e galinha de cá, de lá, de além, e todos aprenderam a falar noite e dia naquela melodia nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem… De modo que a velhinha que muito padecia por não ter companhia nem falar com ninguém, ficou toda contente, pois mal a boca abria tudo lhe respondia: nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem…


O Eco
Cecília Meireles

O menino pergunta ao eco Onde…