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Azul

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  Luci Afonso  Para Rafa Ele está na beira do lago.   A água é límpida, refrescante. Enquanto molha os pés, ele observa o cenário. Ipês de todas as cores enfeitam o parque. O chão está coberto de folhas. Todos esperam a chuva para amenizar a angústia da seca.   A chuva é azul. Ao longe, ele avista o bando de amigos debaixo de uma árvore.   Eles se reúnem a cada quinze dias para atividades lúdicas. Hoje, o encontro será uma oficina de pulseiras artesanais. O anterior foi a confecção de origamis, aqueles pássaros leves de cores suaves. No outro, o sabor do chocolate foi revisitado em receitas antigas. O bando de amigos é azul. Por mais que ande, ele não consegue chegar ao grupo. Eles parecem estar sempre mais longe, como num sonho. O sol está forte e o tempo, seco. O chão pega fogo. Cansado, ele se deita à sombra de um enorme ipê amarelo, recortado no céu azul . Por que não existem ipês azuis?, e le se pergunta. Certamente, o mundo seria mais feliz. Os ipês são azuis. É n

Desafio Literário do Dia do Professor - Sindicato dos Escritores de Brasília

  Fiquei muito feliz em ser opção de resposta neste Desafio Literário - questões 3 e 5. Agradeço ao SindEscritores. [17:19, 25/07/2021] Sindicato dos Escritores: Desafio Literário do Dia do Escritor   As três primeiras pessoas que enviarem as respostas às questões abaixo ganharão cada uma, um vale-compras da Livraria Leitura do Pátio Brasil Shopping no valor de R$ 100,00. Da quarta à 10ª pessoa que enviar as respostas corretas farão jus a um livro de autor brasiliense. Mande as respostas para: sindicatoescritores@gmail.com até a meia noite de hoje. O Resultado será publicado logo após a meia-noite. E então, bora? 1.Qual dos escritores abaixo não nasceu no Rio de Janeiro nem em Rondônia? A)- André Giusti B)- Jorge Amâncio C)- Gilbson Alencar D)- Arisson Tavares   2.Qual dos escritores abaixo ganhou 3   Prêmios Literários da Academia Brasileira de Letras: o Prêmio Afonso Arinos, o Francisco Alves e o Coelho Neto. A)- Luiz Manzolillo B)- Cassiano Nunes C)- Alan Viggi

Sessão solene da Academia de Letras do Brasil-DF

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  Tenho a honra de constar entre os agraciados pelo Certificado de Honra ao Mérito  da Academia de Letras do Brasil-DF.

Os três porquinhos filosóficos e o lobo curioso

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A moça do Fujioka

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  Luci Afonso   Toda sexta-feira, às 16h, vou ao Fujioka de Sobradinho revelar fotos. Eu digo “revelar”, como antigamente, porque ainda não me acostumei com a palavra “imprimir”. Fotos são minha paixão desde criança. Elas prolongam os bons momentos, quase os cristalizam. Elas atestam que as lembranças são verdadeiras.   Além disso, preveem o futuro de uma forma que só entenderemos mais tarde. Tenho muitos álbuns, cada foto revelando em detalhe a emoção daquele minuto que nunca mais se repetirá. Uma vez posta no álbum, a foto não sairá mais dele. Não suporto álbuns incompletos ou vazios. Estou sempre revelando fotos que os preencham. Há pouco tempo, descobri uma foto de trinta anos atrás, em que eu estava linda e sorridente. Fiz cópias e espalhei pela casa. Sempre que entro no quarto, vejo a linda moça me sorrindo com um frescor que me reanima. Aproveitei para colocar, ao lado da foto, um jarro com flores de buganvília vermelha. Entro no Fujioka e desperto, mais uma vez, a a

Entrevista à Associação dos Servidores Aposentados da Câmara dos Deputados

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      n.° 29200 - 5  de fevereiro de 2021 - Sexta Fala, associada Luci Afonso de Oliveira Nascida na cidade de Araxá-MG, Luci Afonso de Oliveira, chegou a Brasília em 1971, onde cresceu. É licenciada em Letras-Português pela Universidade Católica de Brasília. Ingressou na Câmara em 1985, mediante aprovação em concurso público. Trabalhou no Departamento de Taquigrafia, Revisão e Redação, aposentando-se em 2013. Depois que se aposentou, Luci trabalha na área de literatura, como escritora, revisora, assessora literária e coordenadora de oficinas e clube literário. Viajante assídua ela ja foi à Inglaterra, França e Itália, e, mais recentemente, a Nova Iorque. Também viajou pelo Brasil, no interior de Goiás e Minas Geras, e em praias do Nordeste. Luci além de escrever, ler, faz pintura espontânea (método de autoconhecimento), objetos, colagens e garrafas decorativas. É fotógrafa amadora, apaixonada por imagens. Gosta de cinema, música e teatro. E frequenta eventos literários, como lançament

Doce invasão

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  Luci Afonso   O dia começa, é preciso viver. A lua ainda não se recolheu. O sol acorda aos poucos, como uma criança, e provoca no muro ocre um espetáculo de luz.   Só dura um instante. Os jovens ainda dormem o sono ingênuo.   A casa está em silêncio, exceto pelos gatos, que miam para sair. Eles se acostumaram com o espaço e a liberdade, e agora os exigem assim que amanhece. Saio ao jardim, meu primeiro alimento diário. Nasceram quatro acerolas, uma delas já caída na gram. Apareceram rosas amarelas em meio às vermelhas. Não me lembrava de tê-las plantado ali. O pé de manacá branco-lilás se encheu de flores. Os amores-perfeitos estão abraçadinhos. As sementes de alamanda não vingaram. Precisarei pedir outras ao vizinho da esquina. Nasceu mais uma flor-de-cera. O painel de treliça está cheio delas. Parecem minúsculos doces de aniz tingido cor-de-rosa, capturando o olhar e insinuando o toque. A aparente delicadeza esconde uma vontade férrea. Agarra-se com força a qualquer supor