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Mostrando postagens com o rótulo Leonardo Oliveira

Poemas não perdem a coragem

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Tia Luci, Eu estava vagando pelo apartamento vazio em uma noite de insônia quando decidi imprimir alguns textos, ou melhor, parágrafos que andei rabiscando nos últimos tempos. Estou lhe enviando alguns e gostaria muito que você os lesse quando tiver um tempo. Ah, e junto vai o quadro com o poema que você me emprestou há muito tempo. Ele é lindo, e adorei poder lê-lo quase todos os dias. Com carinho, Leonardo Poema de Mariza* Estive doente Dos olhos Da boca Dos nervos até Destes olhos que viram mulheres perfeitas Da boca que receitou poemas em brasa Ah... dos nervos manchados de fumo e café Estive doente Não quero escrever Eu quero um punhado de estrelas maduras Eu quero a doçura do verbo viver. (Autor desconhecido) Poemas não perdem a coragem. Recebi este das mãos da terapeuta Mariza Oliveira, um mês antes de ela falecer devido ao câncer. O poema me acompanha deste então, e esteve durante algum tempo com meu sobrinho Leonardo, hoje doutor...

De Marcos para Léo

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De: Marcos Silva Para: Leonardo Silva Segunda, 24 de julho de 2006 Léo, um abraço carinhoso do teu velho. E então, as coisas estão se organizando na tua cabeça? Já é possível viver sem tanto peso nos ombros? Alguém te contou que há um homem muito feliz em algum lugar deste planeta, mas as televisões não ousam apresentá-lo ao mundo para não servir de parâmetro para os outros bilhões de seres a quem disseram que isso não é possível? Pois é. A literatura mais antiga diz que ele existe. Alguns filmes inclusive mostraram cenas em que ele aparecia. Eu mesmo o vi, de relance, certa vez, quando me olhava num espelho, mas faz tempo que outras sombras obscurecem tudo ao meu redor. Creio que é essa coisa de usar óculos escuros... Não sei ao certo. Ah! Desculpe, nunca me viste de óculos escuros, não é? Esqueci de explicar: tem gente que usa óculos escuros pelo lado de dentro. Estou com saudades de ti. Venha passar um dia com este teu velho pai, está bem? É...

O eqüino estrangeiro

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Leonardo Oliveira O eqüino estrangeiro, despedaçado pelo seu passado, avistava o horizonte, deslumbrado, quando chegou à fazenda. Receoso, logo avistou uma criança no alpendre da enorme casa. Foi quando os olhares se entrelaçaram. Por trás do sorriso sutil e dos olhos famintos, a criança escondia um amor puro e colorido, como as violetas e margaridas sorridentes em sua janela. Não havia brutalidade ou manchas de uma vida desgastada. Era puro. O olhar da criança confortou o eqüino. Aos poucos, ele foi juntando seus remendos e renasceu pelas mãos da criança que, todas as manhãs, acordava para contemplá-lo do alpendre de sua casa.

Nostalgia

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Leonardo Oliveira E todos aqueles momentos mais do que especiais que tive o privilégio de viver um dia continuam guardados a sete chaves dentro do meu peito. São como cachorrinhos recém-nascidos: frágeis por demais. Tenho medo até de relembrá-los além da conta para que não sejam mudados. Não quero estragá-los. Não, em hipótese nenhuma! Seria irreversível. Seria como perder um amigo num acidente de carro. Mas acho que foram no mínimo corrompidos por mim e pela minha terrível necessidade de praticar o verbo "lembrar". É como se fosse um antidepressivo: a nostalgia cura meus momentos de dor e solidão. O que posso fazer? O melhor mesmo é que tais momentos continuem guardados até que chegue a próxima tarde vazia e nostálgica. Quem sabe amanhã, talvez.

História de uma vida após a morte

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Leonardo Oliveira Ainda não estava certo de sua missão. Não, certeza era algo que ele nunca havia tido. Talvez fosse mesmo só mais um indeciso no meio da multidão, ou talvez tivesse mesmo nascido para mudar o mundo. Nem que fosse de forma anônima, com a ajuda do seu “eu” escondido no mais profundo infinito de si mesmo, ele mudaria o mundo. Quando criança, teve medo de fantasmas. Não tinha medo de cobras, altura ou mesmo da morte, mas de fantasmas. Eles espreitavam seus pensamentos e o perseguiam até em seus sonhos. Já não bastasse toda aquela metamorfose infernal pela qual os garotos tinham de passar a certa altura da vida, as coisas só fizeram piorar. O seu céu, mais lindo que uma pintura expressionista, mais claro que a água do alto mar e mais limpo que a areia das dunas do deserto, se fechou. Uma nuvem negra apareceu de supetão, trazendo consigo um temporal e, em seguida, uma neblina. Era tão forte que chegou a embaçar seus olhos, deixando-o permanentemente cego. Durou. Todo aquele ...

(Describe yourself)

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Leonardo Oliveira Uma montanha russa sentimental, trilhando caminhos errados a 100 quilômetros por hora, engolindo palavras e pensamentos, sempre rápido e negligente, atropelando passos cuidadosamente calculados pelo meu subconsciente, deixando-me guiar pela emoção do momento, pelas faíscas surgidas entre dois corpos, nunca resistindo à carne ou prestando atenção nas entrelinhas subliminares dos gestos alheios e em tentativas constantes e frustradas de saber usar corretamente a psicologia. Acabei por colidir comigo mesmo. (Imagem: "Reprodução Proibida (Retrato de Edward James)", René Magritte, 1937)

Olhe para ele

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Leonardo Oliveira Olhe para ele. Qual queixo não caiu ao vê-lo passear pela rua? Quantas moças, ou até mesmo rapazes, não suspiraram quando viram seu sorriso pela primeira vez? Cada traço do seu rosto parece ter sido esboçado cuidadosamente por um pincel do paraíso, criando a mai s perfeita harmonia: delicada, porém viril. Seu corpo desenhado desperta desejo em qualquer um, e seus músculos, envoltos na pele morena e brilhosa, mostram-se prestes a explodir testosterona quando flexionados. Ele honra o falo que tem, sendo um exímio representante da espécie masculina. Quando anda, o vento abre alas para sua passagem, os pássaros sentem vontade de cantar, o sol brilha ainda mais. Os olhos alheios, lacrimejando, passeiam por aquele mar de virilidade, embebidos de luxúria. Os rapazes o invejam. Talvez até sintam uma ponta de desejo suprimida em seus interiores e surpreendam-se ao serem pegos por uma ereção involuntária, tocando-lhes uma parte desconhecida de si mesmos. Em meio a todos aqueles...

Amor em degradê

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Leonardo Oliveira Vamos nos sentar ali na escadaria mais alta, aquela florida, cuja última estação deu-lhe um banho de folhas secas — foi quando nos conhecemos. Naquela escadaria que nos guiou até o primeiro beijo de boa-noite, aquela que foi berço de um sentimento cor-de-outono que nasceu na época mais seca de mim mesmo. Naquela ali, a mais bonita. Vamos nos sentar um ao lado do outro. É aí que repouso a cabeça e me consolo no seu colo, e aí eu não acredito que te encontrei. Leonardo Oliveira nasceu em Brasília em 1988, onde também cresceu em lar de muito amor e carinho. Aos 18 anos, ainda pretende quebrar os rígidos dogmas da sociedade por meio das palavras e da arquitetura, arte da qual gosta muito. Será arquiteto de sucesso, aguardem. (army_boy_1@hotmail.com)