domingo, 20 de junho de 2010

Os 4 Rs



Luci Afonso


Os catadores da cooperativa de reciclagem que nos visitam esta manhã são humanidade pura. Cem por cento gente. Altamente recomendados pela Organização Mundial de Saúde.

Janilson é diretor-presidente, motorista, ajudante de serviços gerais, apartador de brigas e técnico de futebol. Trabalha o dia inteiro e, à noite, aprende a ler. Adora a palavra “cidadania”. Sempre foi empreendedor: assim que chegou a Brasília, adquiriu o primeiro cavalo — carinhosamente batizado de César Sampaio, em homenagem ao ídolo — e construiu a primeira carroça. Aos poucos, foi aumentando e terceirizando a frota equina, até não precisar mais trabalhar na rua. Hoje, tem carro. Sua maior revolta é a desclassificação do time da cooperativa no último campeonato da segunda divisão brasiliense.





Cícero tem a mesma idade de Brasília. Baiano trabalhador, para desmentir a má fama dos conterrâneos. Vaidoso e falante, tem muita história pra contar de hoje pra ontem. Foi garrafeiro, andou de carroça pelo país, derrubou árvore com motosserra. Os colegas dizem que é hiperativo: além de fiscal, é mecânico, bombeiro hidráulico, eletricista, marceneiro, técnico em computador e o que precisar. Nas horas vagas, ao som de Chitãozinho & Xororó, monta e desmonta o motor do Azulão, o caminhão da cooperativa. Tem orgulho de contribuir para limpar a cidade.






Fátima, diretora e porta-voz da categoria, fala melhor que advogado. Pernambuco, mulher forte, sim senhor. Estudou até a quinta série, mas fez faculdade de perseverança, pós-graduação em coragem e mestrado em dignidade. Tem crédito na praça. Financiou a casa própria na Caixa Econômica, adquiriu computador em 12 vezes nas Casas Bahia. Os olhos umedecem quando lembra o tempo em que catador era ninguém. Gosta de ler uns romancinhos que encontra, principalmente os de final feliz.





Paloma, 18 anos, ainda é uma garotinha, esperando o ônibus da escola, sozinha. Filha e neta de catador, mantém a tradição enquanto termina o segundo grau e aprende informática. Enfrenta o preconceito dos colegas por causa da profissão. Nas sextas à noite, curte a balada de hip-hop no Recanto das Emas, onde mora. Não confirma se tem namorado.




Paloma, Fátima, Cícero e Janilson ensinam humildemente os fundamentos da reciclagem: raça, resistência, respeito, reconstrução.

Que catador é gente eu já sabia. Agora, aprendi que catador é beija-flor.


(Quatro catadores da Cortrap — Cooperativa de Reciclagem, Trabalho e Produção — vieram até o Cefor da Câmara dos Deputados compartilhar um pouco do seu cotidiano. Os catadores relataram a criação da cooperativa e contaram histórias de vida de quem trabalha e sobrevive dos resíduos. É uma trajetória que a maioria das pessoas não conhece, e que foi narrada em crônicas. Os 4 Rs é uma delas.)
#Compartilhe:

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Alento em Branco Maior




Luci Afonso

O homem construiu o ambiente urbano em concreto e agora busca respirar no vazio branco que lhe resta em meio aos edifícios sem cor. Neste cenário, a natureza é só um detalhe: em vermelho, como a vida, ou em azul, como o céu.

Sufocado pela paisagem árida que forjou com descuido e indiferença, o ser humano procura a sensação de liberdade à beira de um espelho d’água que ainda o refresca ou ao lado de outro ser — um amigo, um pássaro, uma flor — que ainda o compreende.

É difícil fazer o simples. Na mostra Alento em Branco Maior, o jovem Helano Stuckert constrói um diálogo eloquente entre os poucos elementos que compõem suas fotografias. Desapego e simplicidade são marcas na vida e na obra deste artista que, ao longo de quatro anos, registrou momentos de intensa solidão e de luminosa esperança nas metrópoles por onde andou.

Escondido atrás da lente, Helano realça a amplidão branca em contraste às duras linhas do concreto, à sombra de grades e muros que aprisionam e à geometria de escadas que parecem levar a lugar nenhum. As pontes não atravessam, os trilhos não andam, as nuvens se mantêm cinzentas, mas o homem insiste em perscrutar caminhos que o conduzam ao mais branco, ao máximo branco, ao alento em branco maior.



Esta exposição faz parte das comemorações da Semana do Meio Ambiente na Câmara dos Deputados. Materiais descartados pela Gráfica da Câmara foram repensados para servir como molduras das obras.
Latas, tonéis, caixas de papelão, tablados de madeira e chapas de off-set interagem harmoniosamente com as fotografias de Helano Stuckert, mostrando que é possível unir a sofisticação da arte à preservação do meio ambiente.

(Fotos da vernissage no fotolog, à direita.)
#Compartilhe:

terça-feira, 8 de junho de 2010

"Remini-Rosas" - Lançamento



"Sou paraense, formada em Letras, e apaixonada por esta cidade chamada Brasília. Aqui eu tive a oportunidade de conhecer pessoas do mais alto nível acadêmico, o que me incentivou a colocar no meu primeiro livro, intitulado “Um Hino ao Amor”, grande parte do que eu havia escrito por toda a vida.

Mas, como tudo sempre começa com o primeiro passo, agora estou lançando o segundo livro: “Remini-Rosas”, no dia 8 de junho, a partir de 19h, no Restaurante Carpe Diem da 104 Sul.

Espero todos com um abraço musical."

#Compartilhe:

domingo, 6 de junho de 2010

Alento em branco maior

(clique na imagem para ampliá-la)

O Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados convida para a exposição fotográfica Alento em Branco Maior, de Helano Stuckert, a ser realizada de 8 de junho a 2 de julho de 2010, no prédio do Cefor.

A exposição faz parte das comemorações da Semana do Meio Ambiente. Na expografia foram usados materiais descartados pela Gráfica da Câmara e reutilizados como molduras — caixas de papelão, latas, tonéis, tablados de madeira e chapas de off-set —, com o objetivo de unir a arte à preservação ambiental.

Vernissage: 7 de junho, às 19 horas
Visitação: de segunda a sexta-feira, das 9 às 18h.

Cefor
Via N3 - Projeção L (atrás dos Anexos dos Ministérios - Norte)
Setor de Garagens Ministeriais Norte - SGMN
Complexo Avançado da Câmara dos Deputados
Telefone: 3216-7678
Mais informações: nudiv.cefor@camara.gov.br
#Compartilhe:

Sarau LXXXVI Tribo das Artes



Lançamento dos livros Brasília 5.0 - Antologia de Cordel e ABC de Vladimir Carvalho, de Gustavo Dourado.
Teatro da Praça - Taguatinga Centro
8 de junho, terça-feira, 20h
#Compartilhe:
© LUCI AFONSO| A Crônica Brasileira