sábado, 30 de maio de 2009

Luci Afonso e "O Guardião da Manhã"

Cinthia Kriemler


Luci Afonso é uma pessoa única. Logo de início, quando enxergamos apenas sua casca, cometemos a imprudência de considerá-la quieta, mansa. Depois, quando escolhemos procurar mais a fundo e escutar além daquela voz harmoniosamente baixa, rompe-se para nós um vulcão.

Luci é, de uma ponta a outra, percepção. Percebe e retrata o humano, o inumano, o deslize, o pecado, a vocação, o empenho, o humor, a rebeldia. E respeita cada personagem em suas nuanças de vida, como respeita a cada um de nós, modelos.

Pessoas que não sofrem, ou que se recusam a sofrer, ou que se recusam a mostrar que sofreram me amedrontam. Porque só depois que o sofrimento enfia as unhas na nossa alma é que a gente começa a notar o que realmente conta.

A alma de Luci deve ser bem unhada... Suas crônicas refletem a postura de uma vida que ainda sabe sonhar. O mundo, em seus simples pormenores, ganha graça, elegância e beleza pelas mãos da cronista.

Dia 28 de maio próximo, quinta-feira, Luci Afonso lançará mais um livro, entregará a nós mais uma escultura de letras e sensibilidade: “O Guardião da Manhã”.

Confiram!
Postado em 23.05.09
http://palavrasabracadas.blogspot.com/2009/05/luci-afonso-e-o-guardiao-das-manhas.html
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Crônicas com sabor poético


Da Redação
Foto: Alexandre Fortes/Divulgação

Os ipês amarelos, o Eixão em dia de domingo, o canto das cigarras, a vista da Esplanada. Elementos simples que fazem parte do dia a dia de qualquer morador de Brasília tomam forma lírica nas palavras de Luci Afonso, que participa do projeto Quinta Crônica deste mês, no Auditório do Centro de Formação da Câmara dos Deputados (Cefor). O evento traz literatura e música, embalada pelas letras de Renato Russo.

Escrevo desde a adolescência. Na escola, sempre gostei de português e meus professores me incentivavam a ler e escrever. Quando comecei a frequentar uma oficina de crônicas, decidi juntar o trabalho que tinha e formar um livro.” É com essa despretensão que a mineira de Araxá, servidora pública da Câmara dos Deputados, descreve a concepção de sua primeira obra, Velhota, eu? (Editora Thesaurus), cujas crônicas serviram de objeto para a dramatização no Quinta Crônica de hoje.

Autor e diretor do evento, Jones Schneider conta que recebeu o livro da autora e logo resolveu dramatizá-lo: “A Luci tem um jeito de escrever despojado, apesar de 90% da obra ser em texto poético. É como se escrevesse poesia em forma de crônica”, conta. No mesmo evento, a escritora aproveita para lançar sua segunda obra, O Guardião da Manhã. “Esta é uma oportunidade que oferecemos aos autores que estão com novos trabalhos. Isso é muito bacana”, comemora Jones.

A veia musical do evento fica por conta de Alex Souza, que intercala a dramatização dos textos feita por Jones com canções de temática semelhante. A cada edição, ao lado de um cronista da cidade, um compositor também é homenageado. Hoje é a vez de Renato Russo. “Ele escreve sobre Brasília e, pela sua trajetória, conseguimos traçar a história da cidade. No entanto, tivemos o cuidado de mostrar várias facetas do cantor. Seu lado romântico, político e até anarquista”, explica Alex. O músico promete sucessos como Que país é esse?, Tempo perdido, As quatro estações, Será e Eduardo e Mônica.

A apresentação de hoje contará com a presença do poeta Marco Antunes, coordenador do Núcleo de Literatura do Espaço Cultural, onde Luci Afonso se descobriu como cronista. Ao lado de Jones e Alex, Marco discute a obra e a vida da escritora e de Renato Russo, numa espécie de sarau. “É um talk-show sobre o livro e sobre as composições. Cada um fala um pouco, inclusive o público, que também pode participar”, convida Jones.

QUINTA CRÔNICA

Auditório do Cefor (Centro de Formação da Câmara dos Deputados, Setor de Garagens Ministeriais Norte, Via N3, atrás dos anexos dos ministérios).
Hoje, às 19h30, dramatização de crônicas de Luci Afonso e canções de Renato Russo, com Jones Schneider e Alex Souza.
Lançamento do livro O Guardião da Manhã (Editora Coronário, 96 páginas).
Entrada franca.
Não recomendado para menores de 12 anos.
Informações: 3216-7678 ou 9937-7180.


(Matéria publicada no Caderno C do jornal Correio Braziliense, em 28.05.09)
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O lavador de carros e a escritora

Personagem
Lavador de carros na Câmara, Clodoaldo Paulino inspirou servidora a escrever um livro



O dia em que um homem humilde inspirou uma cronista. Esta história virou um livro

Marcelo Abreu
Fotos: Gustavo Moreno/CB/D.A Press

Sem poder mais trabalhar, Clodoaldo, ou “seu” Pernambuco, 81, é personagem que dá nome ao livro da cronista




Luci Afonso, servidora da Câmara, 49, lança o segundo desafio: escrever sobre uma gente diariamente invisível

Tem gente que gosta de gente. E sabe observar gente. Tem gente que faz de gente aliado. Tem gente que verdadeiramente se importa com gente. Era uma vez um homem que lavava carros. E uma mulher que todos os dias estacionava o seu veículo no lugar onde aquele homem lavava carros. Ele tem 81 anos. Ela, 49. A cada reencontro, ele dizia a ela, com voz grave de barítono: “Bom-dia, madame!” Ela lhe devolvia: “Bom-dia, seu Pernambuco...” Ele perguntava pela família dela. Ela dizia que estava tudo bem. Ele, então, antes que ela partisse, lhe desejava que Deus a acompanhasse. Ele continuava lavando carros. Ela subia para o trabalho. Foi assim durante os últimos 23 anos.

Há cinco meses, o homem que lavava carros adoeceu. Veio tudo junto: diabetes, hipertensão e problemas renais muito graves. Foram 23 dias na UTI do hospital de Samambaia. O médico o desenganou. Chamou a família. E lhes contou a verdade. O estacionamento do anexo da Câmara Federal, próximo ao Supremo, desde aquele dezembro, ficou sem a alegria daquele homem miudinho com voz de samurai. A mulher cujo carro ele lavava sentiu sua falta. Não da lavagem. Mas do bom-dia que se apagou.

No hospital, o homem se rebelou. Saiu do coma. Deixou aquela gente de jaleco branco incrédula. Partiu da UTI. Seguiu para casa. Quer voltar para o estacionamento da Câmara. E chora quando sente que não tem mais forças para fazer o que fazia antes. Na 313 Norte, num apartamento confortável, a mulher escrevia. De tanto observar gente, ela começou a escrever sobre gente. Às vezes, ela mesma era a protagonista das histórias que contava. Noutras, na grande maioria, eram as ‘gentes’ com quem esbarrava que viravam seus personagens principais.

Um dia, de tanto ouvir aquele bom-dia com “voz de samurai”, ela escreveu uma coisa pra ele. Chamou-o de O Guardião da manhã. Era uma crônica. “Para mim, eram apenas observações das coisas que aconteciam e eu presenciava”, ela conta. De observação em observação de gente comum, invisível, uma gente que ninguém vê, ela encheu o computador de anotações. Mas só descobriu que fazia crônica quando participou da oficina de literatura, no Espaço Cultural da Câmara, onde trabalhava como taquígrafa.

Há dois anos, pariu o primeiro livro: Velhota, eu? Em 2005, no estacionamento de um banco, no final da Asa Norte, ela foi chamada por um rapaz “musculoso, de braços fortes e tatuado com dragões” de velhota. “Me senti envergonhada. Tinha 45 anos, cinco meses e dez dias”. Válvula de escape: a escrita. Correu pro computador e escreveu tudo que estava sentindo. “O que não consigo responder, escrevo. É assim que reajo.”

O primeiro livro, lançado em 2007, com economia própria, foi um sucesso. O poeta Marco Antunes, professor da cronista, na oficina de literatura, escreveu, na contracapa do livro: “É crônica tudo aquilo que for manchete na alma do cronista. Desabem sobre o mundo as torres da insensatez humana, para o cronista, no entanto, sem traumas ou vergonha, a grande notícia do dia pode ter sido a morte de um simples quati, na garagem do seu prédio”. E disse mais: “Ela tem olho clínico para a hipocrisia social e a delata sem cerimônias ou lubrificações de eufemismos....” A taquígrafa finalmente entendeu que era uma cronista.

Mesmo sonho

Uma lesão por esforços repetitivos (LER) afastou a cronista de suas funções de taquígrafa. Ela mudou de departamento. Desde setembro do ano passado, está lotada no Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara (Cefor). E nunca deixou de ver o lavador de carros. E ele, todos os dias, lhe desejava que Deus a acompanhasse. Essa é a história de Luci Afonso de Oliveira, a escritora, e um de seus melhores personagens, o lavador de carros Clodoaldo José Paulino, mais conhecido como “seu Pernambuco”.

Seu Pernambuco, na verdade, nasceu no Rio Grande do Norte. “Esse apelido me deram quando eu fui servir o Exército no Rio de Janeiro”, conta o homem de 81 anos. A escritora, mineira de Araxá, chegou a Brasília em 1971, aos 11 anos de idade. Veio com pai, mãe e três irmãos. Brasília começava. E Taguatinga foi o endereço da família humilde. A menina cresceu. Escrevia, sem pretensão, coisas que observava pelo caminho. Formou-se em letras pela Universidade de Brasília. Fez concurso para a Câmara, em 1985. Mudou-se para o Plano Piloto. Casou-se. Teve um filho. Separou-se.

Naquele estacionamento, Clodoaldo, sem saber ler e escrever, lavava carros. “Não sei nem assinar meu nome. Escola era coisa de gente rica”, ele diz. No Rio de Janeiro, depois que deixou o Exército, virou vigilante de obras. Trabalhou em Copacabana e Botafogo. Encantou-se pela Cidade Maravilhosa. Apreciava uma dose de pinga. Um dia, ouviu falar que JK iria construir a nova capital. Não pensou duas vezes. Partiu para o cerrado, em 1959. Aqui, no mesmo ano, juntou sua vida com a vida de Ledroneta, mineira de Patos de Minas, que, separada, sustentava sozinha dois filhos.

Clodoaldo e Ledroneta acreditaram no sonho de Juscelino. Aqui, tiveram mais três filhos. Ele virou vigia de obras. Foi o que fez a vida toda, até se aposentar, com um salário mínimo. Perto dos 60 anos, virou lavador de carros, na Câmara dos Deputados. Ganhou um crachá, com foto e tudo mais. Lá, escreveu-se: “Lavador de autos, sem vínculo empregatício com a CD”. Sentiu-se importante. Tempos depois, levou o filho Ailton, para seguir o mesmo ofício. Depois, o neto Washington.

Do governo, há mais de 15 anos, ganhou um lote em Samambaia, numa das últimas quadras. Levou uma década para construir a casa dos sonhos — dois quartos, sala, banheiro, cozinha e paredes toda de cerâmica decorada. Encheu-a com os netos e bisnetos. Na rua, todo mundo sabia que ele lavava carros no estacionamento da Câmara. “O povo do comércio, de tanto confiar nele, vende até fiado. Todo mundo gosta do meu pai”, conta, emocionada, a filha Sônia Paulino, 40.

Sem dizer o nome

Na terça-feira à tarde, o Correio foi conhecer “seu Pernambuco”. E saber quem era, afinal, aquele homem que havia encantado a cronista. Ele contou a vida dele. Comoveu-se com as lembranças. Na segunda-feira, ajeitou-se todo, pegou um ônibus e chegou ao estacionamento da Câmara. Viu o lugar onde trabalhou por 23 anos. “Eu gosto muito dali, mas o médico disse que eu não posso mais fazer isso”, lamentou.

Ele e a escritora se falavam todos os dias. Ele a chamava de ‘madame’. Ela, de ‘seu Pernambuco’. Nunca um soube o nome verdadeiro do outro. Era apenas um detalhe que nunca impediu a aproximação. “O nome é Clodoaldo? Poderia imaginar qualquer um, menos esse”, disse-me ela, na manhã de ontem, no seu apartamento confortável da 313 Norte. “Oxente, a madame é Luci?”, indagou-me ele, na terça. Ainda assim, Luci o percebeu, mesmo invisível. Escreveu sobre suas virtudes e o bem que ele fazia a ela. Pariu o segundo livro, com ajuda do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), do GDF. Com a história do lavador de carros que nunca aprendeu a dirigir, elegeu sua obra.

Visivelmente emocionada, a escritora, amante de Rubem Braga e Adélia Prado e também pintora nas horas vagas, confessou: “Escrevo para manter o meu equilíbrio, pra me sentir viva”. E admitiu: “Choro por tudo. Amanhã (hoje, no lançamento), sei que vou chorar muito”. Na casa humilde de Samambaia, a filha leu a crônica para o pai que não sabe ler. Os olhos dele se encheram de lágrimas. Ela também se comoveu e constatou: “Se todo mundo tivesse a humildade dele, o mundo não seria assim”. Clodoaldo — ou seu Pernambuco — apenas ouviu. Deu um sorriso desajeitado, quase envergonhado por ainda ser bom — e honesto — num mundo tão mau.

Ajeitou o velho chapéu que o protegia no estacionamento. E ainda sonha, aos 81 anos: “Queria voltar ao trabalho. Gosto de lavar ‘meus’ carros’”. A escritora descobriu aquela vida que esteve sempre ali e ninguém viu. Isso, em toda a sua obra, já teria sido sua melhor crônica.

NÃO PERCA


O Guardião da Manhã será lançado hoje, às 19h30, no auditório do Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento (Cefor), da Câmara dos Deputados. Os textos serão apresentados pelo ator Jones Schneider. As crônicas serão “servidas” ao público acompanhadas de músicas de Renato Russo, com interpretação de Alex Souza. O livro custa R$ 20. Contato: 9556-4541

(Matéria publicada no Caderno Cidades, do jornal Correio Braziliense, em 28.05.09)






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sábado, 23 de maio de 2009

O Guardião da Manhã



Mineira por nascimento e brasiliense por destinação, Luci Afonso anseia, todo ano, pela primeira flor do ipê-amarelo e pelo canto inaugural da cigarra. Seus personagens humildes caminham audazes sob o céu infinito de Brasília, seus avatares lutam silenciosos em recantos improváveis da cidade. O Guardião da Manhã é um desses seres luminosos.
"As crônicas de Luci Afonso associam pitadas femininas de ternura e poesia a diálogos ágeis e bem-humorados.


Tu, leitor, sorris e te divertes com a tragédia do dia a dia, sem notar que a sutil compreensão que Luci te oferece do cotidiano permanecerá na corrente do teu sangue, impregnada definitivamente nos poros de tua perplexidade. "


Lançamento: 28 de maio
Auditório do Cefor
19h30min
Entrada franca.
Todas as manhãs têm um guardião.
Descubra o seu.
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QUINTA CRÔNICA


Renato Russo e Luci Afonso

Direção e atuação de Jones Schneider.

Com Alex Souza e participação especial do poeta Marco Antunes.

Lançamento do livro "O Guardião da Manhã", de Luci Afonso.
Quinta-feira,28 de maio, às 19h30, no Auditório do Cefor (Centro de Formação da Câmara dos Deputados, Setor de Garagens Ministeriais Norte, Via N3,atrás dos anexos dos ministérios).
Entrada franca.

Não recomendado para menores de 12 anos.

Informações: 3216-7678 ou 9937-7180

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sábado, 16 de maio de 2009

Depois do fim



Luci Afonso



Prefácio

Ele gagueja, não olha quase ninguém nos olhos, move continuamente as mãos, num traçado imaginário. Desde pequeno, ouviu dizer que é diferente. Esquisito, calado, retraído.

Capítulo 1

O primeiro amigo foi um livro. O mais recente também é. Só confia em pessoas mais velhas: na mãe, no professor de português, no pagodeiro debochado.

Capítulo 2

Gosta de futebol e shows de rock. Ainda não namorou. Já foi dark. Já quis morrer.

Capítulo 3

Uma noite, de tão triste, imaginou o fim do mundo. Em seguida, o mundo depois do fim. A ideia virou título, frase, parágrafo, capítulo, romance. O primeiro foi publicado, o segundo ficou pronto, o terceiro está a caminho.

Capítulo 4

Na realidade sonhada pelo coração jovem e valente, há batalhas terrestres, aéreas, aquáticas, intergalácticas, interiores. Os heróis sempre têm final feliz.

Capítulo 5

Ele vai a entrevistas, lançamentos, noite de autógrafos, palestras. Aperta mãos desconhecidas, pergunta nomes, faz dedicatórias. Desde pequeno, sabe que é especial. Predestinado, luminoso, abençoado.

Epílogo

Um ser humano venceu. O ser humano venceu. Existe o mundo depois do fim.
Há também um breve sonho de esperança, mas esta é outra história.
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O cronista e o travesseiro


Conceição Freitas

Se a literatura fosse uma cama, a crônica seria o travesseiro. Não tem a imponência nem a robustez do romance, não suporta todas as dores do humano, mas na sua reduzida extensão territorial nos retira do embate diário do viver, convida o sono a se aproximar, abre as portas do sonho, nos afasta momentaneamente dos fatos implacáveis do cotidiano.

Tem gente que não dorme sem seu travesseiro. Eu não durmo sem minhas crônicas. Não as minhas minhas, óbvio. As minhas escritas pelos meus cronistas preferidos. Leio nem que seja um parágrafo ou releio ou trileio. Deixo que o cronista cante no meu ouvido a sua doce canção de ninar.

Fosse escolher a crônica que mais gosto de todas quantas já li, diria que é a de Clarice Lispector sobre Brasília. Não é um texto, é uma revelação, uma epifania. (“Sou atraída aqui pelo que me assusta em mim. — Nunca vi nada igual no mundo. Mas reconheço esta cidade no mais fundo de meu sonho. O mais fundo de meu sonho é uma lucidez.”)

Pego ao léu outras crônicas que me servem de travesseiro. Uma bem curtinha, que me faz rir riso de criança, nem é de um cronista muito conhecido. É do Luís Martins e se chama Tragédia concretista. Ele brinca com a forma das palavras, a sua concretude. Começa assim: “O poeta concretista acordou inspirado. Sonhara a noite toda com a namorada. E pensou: lábio, lábia. O lábio em que pensou era o da namorada, a lábia era a própria”.

Entre os grandes da crônica, meus mestres do fim de noite, está um que também não é muito conhecido pelos textos-travesseiros. É o Millôr, o genial Millôr que faz o maior charme em Notas de um ignorante, na qual ele desfila as muitas humilhações que diz sofrer continuamente. “Em matéria de cultura encontro imediatamente quinhentas pessoas, só entre as que conheço, que sabem mais línguas do que eu, leram mais, falam melhor e mais logicamente, conhecem mais de teatro e citam com precisão escolas filosóficas, afirmando que tal pensamento pertence a esta e contradiz aquela. Que fiz eu?” Dá pra ver que não apenas o poeta é um fingidor, o cronista também.

O Veríssimo é um dos meus travesseiros preferidos, que dona Lúcia me entenda. A da gramática dá vontade de decorar, mas como tenho memória de lesma, deixo o gaúcho encostado na cama, sempre. Se um escritor tivesse de respeitar a gramática com o rigor de um lexicógrafo, diz o filho do seu Erico, “acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda”.

Antológica também é a crônica de Nelson Rodrigues que definiu o complexo de vira-latas do brasileiro, escrita às vésperas da Copa de 58. Nem é um dos textos mais primorosos da flor de obsessão, mas isso não teve a menor importância. Em sete curtos parágrafos, ele definiu um dos traços mais fortes do caráter verde-e-amarelo.

Acabou meu espaço, que pena. Porque tinha muito mais crônica pra lembrar, cronista pra me embalar, travesseiro pra me acalmar. Ainda bem que, se tudo der certo, mais uma noite virá.

Correio Braziliense / Crônica da Cidade - 07/05/09
conceicaofreitas.df@diariosassociados.com.br
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Quem não faz, toma



Metáforas esportivas


Boxe

Ir a nocaute - ser vencido arrasadoramente
Jogar a toalha - dar-se por vencido
Ter jogo de cintura - ter capacidade de adaptação

Sinuca

Bola da vez - centro das atenções
Sinuca de bico - impasse

Turfe

Correr por fora - buscar alternativa
Páreo duro - dificuldade
Barbada - vitória quase certa

Vôlei

Levantar a bola - favorecer

Xadrez

Xeque-mate - momento decisivo

FUTEBOL

Estar com a bola toda - ter muito prestígio ou cartaz
Pisar na bola - cometer uma falha grosseira
Dar show de bola - ter ótimo desempenho
Vestir a camisa - identificar-se com os ideais de uma instituição
Pendurar as chuteiras - aposentar-se
Jogar para o time - buscar o bem da empresa e não aparecer
Querer ganhar no tapetão - prevalecer sem razão; vencer a contenda sem fazer o embate
Estar na retranca - ser retraído, não se mostrar como se é
Fazer o meio de campo - levar aos subalternos a orientação superior
Ter cancha - ter experiência
Quem não faz, toma - fracassar por falta de iniciativa



(Revista Língua Portuguesa nº 35, setembro de 2008)
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sábado, 9 de maio de 2009

A mais bela história do escritor Gabriel


Rapaz que luta contra Síndrome de Asperger se destaca na literatura
Marcelo Abreu

(Correio Braziliense, Caderno Cidades, pág. 38, 09/05/09)


Março de 1990, Hospital Santa Helena. Nascia Gabriel. O primeiro filho do contador carioca Geraldo de Sousa e da poetisa e servidora pública alagoana Isolda Marinho. O bebê veio grande, forte, sadio. Pesou mais de 4kg. O médico brincou com a mãe: “Esse menino não podia sair por baixo mesmo”. A família comemorou. O tempo passou. Gabriel crescia como qualquer outra criança. Aos 6 anos, na pré-escola, começou a se interessar por aviões. Desenhava coisas inacreditáveis. A professora um dia chamou a mãe e lhe disse: “Seu filho só pensa em avião”.

Isolda achou que aquilo era apenas um gosto do menino, coisa de criança. Gabriel, a cada dia, se aperfeiçoava mais nos desenhos. “O que me agradava era a parte estética das aeronaves. Não queria saber da mecânica, de nada disso”, ele diz. Vieram as coleções de revistas sobre o assunto. Gabriel começou a criar historinhas. Criava companhias, rotas imaginárias. Um dia, ele esqueceu os aviões. No primário, já com 9 anos, o foco eram times de futebol. Inventava, por meio de desenhos, uniformes e campeonatos. Depois, passou a se interessar por países. Pensava nas suas moedas, imaginava hinos. Criava uma vida de mentirinha dentro de sua imaginação sem limites.

Aos 10 anos, Gabriel sentiu medo. Estouro de balão lhe deixava angustiado. Qualquer ameaça de chuva, ele se escondia debaixo da cama. Era como se protegia dos trovões. Uma irmã psicóloga de Isolda lhe chamou num canto e lhe disse, sem rodeios: “Minha irmã, o comportamento do Gabriel não é normal. Procura um especialista para que ele seja examinado”. Isolda não viu nada de errado com o filho. “Pensei que aquilo seria passageiro, que passaria”, fala a mãe.

O tempo passou. Aos 13 anos, na 7ª série, no Colégio Marista, Gabriel sentiu uma tristeza infinda. Só de pensar em ir para a escola lhe dava dor de barriga. Na sala de aula, isolava-se cada vez mais. A psicóloga chamou a mãe. E lhe disse o que Isolda nunca mais esqueceria: “Não é manha, nem capricho do seu filho. Ele tá pedindo socorro”. Começou, aqui, a jornada da família pela vida plena e saudável de Gabriel.
Romaria a consultórios de psicólogos. Psiquiatra. E um laudo, para sempre tatuado na memória daqueles pais: Gabriel tinha Síndrome de Asperger, um espectro de autismo menos comprometedor. Isolda nunca tinha ouvido falar naquilo. O mundo, naquele dia, desabou sobre sua cabeça. “Comecei a me culpar, como meu filho viveria nesse mundo, por que aquilo tava acontecendo na minha família...”, lembra a mãe. Gabriel entrou numa depressão arrasadora. Isolou-se de todo mundo. Ficou quase dois meses longe da escola. Isolda procurou, na internet, saber mais sobre a tal síndrome. Virou “especialista” no assunto. Fez parte de grupos de discussões virtuais. Conheceu pessoas. Prometeu a ela mesma que curaria seu filho e o traria de volta à vida que a ele pertencia. A vida a que ele tinha direito de viver.

Gabriel fez terapia. Faz até hoje. Tomou medicação específica. Toma até hoje. E pratica atividade física acompanhado por um personal. Segue rigorosamente as recomendações do psiquiatra. No ensino médio, trocou de escola a cada ano. Sentia muita dificuldade em interagir com os colegas. “Isso me fazia sofrer muito”, admite ele, na sala do apartamento espaçoso e bem decorado na 207 Sul, onde mora com a família — pai, mãe e um irmão mais novo de 16 anos e guitarrista. Gabriel passou a ler.
Apesar da pouca idade, devorou livros de compreensão complicada para um adolescente. Conheceu George Orwell, Truman Capote, Gabriel García Márquez, Isabel Allende, Mario Vargas Llosa. Encantou-se por Clarice Lispector e descobriu Machado de Assis e sua Capitu, com “seus olhos oblíquos e dissimulados”. E pasmem: formou, com um grupo de garotos com os quais sentiu afinidade, uma banda de rock da pesada. Virou metaleiro e só vestia preto. Era o baixista da banda. “Fizemos apenas um show”, ele diz, admitindo que o grupo fazia mais barulho que música. Coisas da vida. A mãe agradece, às gargalhadas: “Ainda bem que essa fase passou. Rezei todo dia para ele parar de vestir aquelas roupas pretas”.
Faculdade

Aos 17 anos, mesmo com todas as dificuldades de relacionamento, o menino que se apaixonou pela literatura terminou o ensino médio. Começaria uma nova etapa de sua vida. Prestou vestibular para jornalismo, no UniCeub. Foi aprovado. Está no segundo semestre. Pergunto se ele será meu colega de profissão. Ele devolve, sem hesitar: “Quero ser escritor. Acredito no meu potencial e quero viver disso. O jornalismo será uma alavanca pra me levar ao meu objetivo”.

Ao mesmo tempo em que aprendia técnicas de introdução ao jornalismo, Gabriel escrevia sem parar. Varava madrugadas. Pensou numa história. Imaginou seus personagens e, de rascunho em rascunho no computador, nascia, depois de seis meses, seu primeiro livro: O mundo depois do fim — misto de ficção científica e romance psicológico, em que ele narra as aventuras de personagens de vidas complexas, abordando temas como amizade, ética e moral, aos olhos de um rapaz de 17 anos, intelectual e psicologicamente maduro para a idade.

O livro, com 188 páginas, foi aprovado no FAC (Fundo de Apoio à Arte e à Cultura, do GDF). Acabou de sair do forno e será lançado na próxima terça-feira. É a vitória de um menino que venceu a si mesmo. A luta de uma família diante de um diagnóstico que mudaria a vida de todos. Comovida, Isolda, aos 48 anos, desabafa: “Sinto um misto de alegria, emoção e orgulho em ver meu filho assim”. Gabriel intervém: “Isso é apenas uma amostra de que o melhor ainda tá vindo”. Isolda não se contém de felicidade: “Ouvir uma coisa dessa é uma maravilha”. Os dois se olham e riem. Há uma cumplicidade intransponível entre eles.
Pergunto se a síndrome, hoje, ainda o atrapalha em alguma coisa. Convicto, o são-paulino roxo, filho de pai flamenguista doente, responde: “Não dou mais muita bola para o que dizem. O que tenho não é uma doença. É um estilo de vida. E cada um vive de uma forma bem particular”. Planos? “Acabar o terceiro livro. O segundo já está pronto”, adianta ele. E uma revelação animadora: “Quero transformar meus livros em roteiro para cinema. É essa linguagem que gosto. As cenas dos meus livros são extremamente descritivas, com muitos detalhes”. Ultimamente, Gabriel se apaixonou pela sétima arte. “Adoro cinema nacional”, diz. E as namoradas? “Tive algumas paixões meio platônicas”, ele conta, meio envergonhado. Esse é Gabriel Marinho, um rapaz com Síndrome de Asperger. Um escritor que ainda vai dar muito o que falar.
Lançamento
O mundo depois do fim será autografado na próxima terça-feira, dia 12, às 20h, no Foyer da Sala Martins Pena, do Teatro Nacional. Preço do livro: R$ 25. Contatos com a mãe: isolda.sousa@camara.gov.br — 8153-8707 ou com Gabriel: gabriel_2112@yahoo.com.br — 8111-7622

Trechos do livro

...O relógio digital da esquina marcava seis da manhã. O sol começava a nascer no horizonte, anunciando o início do dia 18 de fevereiro de 2028. David começara a esmurrar a porta, a fim de acordar suas crias. Greg, a contragosto, foi o primeiro a dar sinal de vida. Levantou-se timidamente e postou-se em pé. Olhou para o espelho sujo na parede de seu alojamento e viu em si uma figura fragilizada e totalmente esguia; cabelos negros emaranhados iam até o ombro, rosto retangular, lábios curtos e rosados e uma pequena cicatriz perto do supercílio direito. Nunca se sentiu confortável ao se ver...

... Os pastos áridos foram se alargando à medida que a cidade se distanciava. A poeira estava cada vez mais impregnada no ar, entrando pelas frestas das janelas quebradas do vagão. Vacas e cavalos desnutridos pastavam, procurando grama fresca para se alimentarem. Havia muitos mortos ao relento, com as carcaças rodeadas por abutres. Greg continuava tentando encontrar um espaço para respirar, até mesmo para ver como raiava o dia...


Para saber mais
Síndrome foi reconhecida em 1994

A Síndrome de Asperger (SA), transtorno de Asperger ou desordem de Asperger é uma síndrome de espectro autista, diferenciando-se do autismo clássico por não comportar nenhum atraso ou retardo global no desenvolvimento cognitivo ou da linguagem do indivíduo. Alguns cientistas a classificam como “autismo de alta funcionalidade”. É mais comum no sexo masculino. Quando adultos, muitos podem viver de forma comum, como qualquer outra pessoa que não possui a síndrome. Há indivíduos com Asperger que se tornaram professores universitários (como Vernon Smith, Prêmio Nobel de Economia, em 2002). O termo “Síndrome de Asperger” foi utilizado pela primeira vez por Lorna Wing, em 1981, num jornal médico, que pretendia dessa forma homenagear Hans Asperger, psiquiatra e pediatra austríaco cujo trabalho não foi reconhecido internacionalmente até a década de 1990.

A síndrome foi reconhecida pela primeira vez no Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, na sua quarta edição, em 1994. Alguns sintomas da síndrome são: atraso na fala, mas com desenvolvimento fluente da linguagem verbal antes dos 5 anos; interesses restritos: escolhem um assunto de interesse, que pode ser seu único desejo por muito tempo. A atenção ao assunto escolhido existe em detrimento a assuntos sociais ou cotidianos. Memorização de grandes sequências como mapas de cidades ou cálculos matemáticos complexos. Ouvido musical absoluto. Interpretação literal, incapacidade para interpretar mentiras, metáforas, ironias, frases com duplo sentido, dificuldades no uso do olhar, expressões faciais, gestos e movimentos corporais como comunicação não verbal. Pensamento concreto. Dificuldade para entender e expressar emoções. Falta de autocensura: costumam falar tudo o que pensam. Sensibilidade exacerbada a determinados ruídos.

Alguns estudiosos afirmam que grandes personalidades da história possuíam fortes traços da (SA), como os físicos Isaac Newton e Albert Einstein, o compositor Mozart, os filósofos Sócrates e Wittgenstein, o naturalista Charles Darwin, o pintor renascentista Michelangelo, os cineastas Stanley Kubrick e Andy Warhol e o enxadrista Bobby Fischer, além de autores de diversas obras literárias.
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sábado, 2 de maio de 2009

Literatura sem mitificação


Brasília, sábado, 02 de maio de 2009

Núcleo de leitura na Câmara dos Deputados promove discussões, oficinas e ajuda autores potenciais a perder o medo de arriscar

Pablo Rebello
Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Press

Coordenador do espaço, Marco Antunes defende que o importante para escrever é ter vontade de trabalhar


No oitavo andar do Anexo 4 da Câmara dos Deputados existe uma sala sem número, meio escondida, onde os jogos de poder praticados pelos políticos não têm vez. Em um ambiente com poucos metros quadrados, conhecido e frequentado por algumas centenas de pessoas, as palavras fluem como poesia e a imaginação toma asas. Ali, talentos ocultos se manifestam e textos de toda sorte são produzidos por alunos apaixonados pela arte da escrita. Muitos, inclusive, realizam o sonho de publicar um livro só seu.

A pequena sala leva o nome de Núcleo de Literatura do Espaço Cultural Zumbi dos Palmares da Câmara dos Deputados. O local começou a ser usado como sala de aula seis anos atrás, graças às ações do professor Marco Antunes. Na época, ele prestava assessoria para um partido político e, depois de apreciar algumas exposições que tomavam conta dos corredores da Casa, percebeu que queria trabalhar mesmo com cultura. Com isso em mente, abordou o coordenador do Espaço Cultural e perguntou se tinha como começar um trabalho de literatura. “Para minha surpresa, a resposta foi positiva”, contou.

Assim, o professor fez um projeto e iniciou um ciclo de leitura, onde os alunos se reuniam para ler e discutir grandes autores. Os ciclos incentivaram o professor a bolar uma oficina de contos. Hoje, ele acumula diversos cursos oferecidos para a comunidade gratuitamente. Um dos mais procurados é o de produção de contos, crônicas e poesias. Os cursos são de segunda a sexta, sempre na parte da manhã.

As aulas possuem um caráter dinâmico e os papéis de professor e aluno chegam a se confundir. “Costumo dizer que me sinto um grande anfitrião. Minha tarefa é receber as pessoas e deixar que elas manifestem o que têm de melhor”, resumiu Marco Antunes. “Supostamente, sou o professor, mas, na prática, acho que aprendo mais do que os outros. Ouço tudo que é dito pelos alunos e, muitas vezes, os questionamentos deles me forçam a dar uma resposta que se apresenta como solução para uma dúvida que eu não sabia que tinha.”

Para alguém que entra na sala pela primeira vez, o ambiente pode parecer pequeno. Mas o professor já recebeu e recusou propostas de mover o grupo para uma sala maior. “Essa sala nos dá um acolhimento maior e mais calor humano. Aqui tentamos acabar com o paradigma do escritor solitário, inseguro e acostumado a guardar trabalhos na gaveta. Sabemos que o escritor, no momento em que termina a obra, quer mais é ter opiniões sobre ela. Literalmente mostrar a criança para o mundo”, detalhou Marco Antunes.

Voz alta

Durante as aulas, os alunos são incentivados a ler em voz alta o que escreveram. Atitude que quebra barreiras para muitos, principalmente no que diz respeito à timidez. E o professor costuma brincar bastante com os estudantes mais assíduos. “Quando é que vai sair a publicação do livro mesmo?”, pergunta com frequência. Provocação que surte efeito. Aos poucos, os alunos começam a sentir o prazer de verem os trabalhos publicados, como já ocorreu com Luci Afonso, 49 anos, Roberto Klotz, 51, Alexandra Rodrigues, 51, e Isolda Marinho, 48.

Alguns, como Alexandra e Isolda, já tinham publicado obras anteriormente. Outros, tinham livros na gaveta, como o caso de Roberto. Mas todos concordam que as aulas melhoraram a qualidade dos trabalhos. “Aqui, descobri que também podia ser cronista”, contou Alexandra, que já lançou o livro de crônicas Minha avó botou um ovo, além do livro de poesias O nome das coisas. Ela resume o que faz com uma frase: “Escrevo para que a asa não se parta na curvatura do voo”.

Isolda tem dois livros publicados, Sementes de amora e O viço do verso, ambos de poesia. E não é a única a escrever na família. “Meu filho, atualmente com 19 anos, também passou a demonstrar interesse pela literatura e está prestes a publicar o primeiro romance”, detalhou a mãe.

Crítica, ironia e uma pitada de humor
As aulas no Núcleo de Literatura ajudaram Luci a redescobrir a paixão que tinha pela literatura. “Quando era mais nova, gostava muito de escrever. Mas tinha parado por desânimo e só voltei à ativa depois que descobri este lugar”, afirmou. Desde então, ela lançou o livro de crônicas Velhota, eu? e também se prepara para lançar um outro livro. Apesar da aparência tímida, Luci é dona de um texto que mistura crítica com ironia, sem deixar de lado o humor e a delicadeza.

No caso de Roberto Klotz, ele decidiu cinco anos atrás mudar de vida. Largou a engenharia civil e começou a escrever. No início, era autodidata. Até que, em um sarau, descobriu as aulas na Câmara dos Deputados. “Já tinha descoberto algumas oficinas, mas não sentia empatia com nenhuma delas, que pareciam mais interessadas em arrancar o meu dinheiro. Aqui, me sinto em casa”, lembrou Roberto. “Além disso, meus textos sofreram uma evolução fantástica desde que comecei as aulas.”

Para o professor Marco Antunes, o sucesso dos alunos deve-se aos esforços deles próprios e da perseverança de cada um. “Não acredito muito nesta história de talento, mas sim na vontade de trabalhar. Acho que qualquer pessoa com vontade de desenvolver a arte de escrever pode se tornar um escritor. Por último, não acredito em uma literatura que não seja engajada. Para mim, a escrita deve ter a intenção de provocar mudanças tanto em quem escreve quanto na sociedade na qual essa pessoa vive para ter importância. Caso contrário, se torna uma literatura morta”, concluiu.

PARTICIPE
Quem tiver interesse em saber mais ou se inscrever no Núcleo de Literatura do Espaço Cultural Zumbi da Câmara dos Deputados, basta acessar o site
http://literaturadecamara.sites.uol.com.br/
Subeditores: Cibelle Colmanetti // Gustavo Cunha // Márcia Delgado
Coordenador: Roberto Fonseca
Tels. 3214-1180 • 3214-1181
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© LUCI AFONSO| A Crônica Brasileira