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Mostrando postagens de Julho, 2010

Religare

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Nascido no Rio de Janeiro e criado em Brasília, o artista plástico Marco Aurélio Tavares, o Lelo, cresceu ouvindo relatos do pai, de origem nordestina, sobre as romarias em Juazeiro do Norte, Estado do Ceará. Ao ver reportagens sobre os devotos do Padre Cícero, o artista sentiu-se atraído pela força da expressão de pessoas humildes, muitas idosas, que tinham na fé a principal razão de viver.
Em 1990, Lelo começou a acompanhar manifestações religiosas pelo sertão do Nordeste. Conheceu de perto os romeiros, compartilhando suas refeições, rezas e cantos. Tirou centenas de fotos, muitas transformadas em telas grandes, outras, em pequenos relicários. Algumas pinturas foram reproduzidas no livro-catálogo Religare, que também compõe esta exposição.
Na mostra Religare, o artista une fotografia, desenho e pintura para dar o testemunho apaixonado da profunda religiosidade do povo brasileiro, que, em meio à pobreza e ao sofrimento, encontra forças para dialogar tranquilamente com Deus. O olhar pur…

“Desde pequeno, ouviu dizer que é diferente”

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Gabriel Marinho

Luci Afonso pensa como a maioria. Cada um tem a sua própria acepção da palavra. A conotação pode ser boa ou ruim. Tantos julgamentos e ideias que às vezes pensam que eu não tenho a mínima noção de como sou. O que é ser diferente para mim?
As diferenças mudam conforme o tempo, de acordo com a idade, as descobertas e a vivência. Alteram-se os meios, jamais a palavra.
Diferença invisível, fácil de ser misturada com as normalidades, que se agiganta quando provocada, no bom e no mau sentido.
Diferença que te coloca acima do outro e que jamais deve ser admitida. A linha divisória da arrogância é tão fácil de ser rompida que é preciso se policiar.
Diferença que te mantém vivo por dádiva ou equívoco. Os diferentes mudam o mundo, nunca a si mesmos.
Diferença que me faz triste por não ter e feliz por possuir. Enquanto não somos descobertos, o que temos perde o sentido.
Diferença por diferença, quem não tem? Num mundo de valores distorcidos, cabe a todo mundo julgar. Menos você.

Parvoíces

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Alexandra Rodrigues
Parvoíces do teu primo – foram as primeiras palavras que li no ar, contaminadas ainda de solo lusitano. Estavam escritas em letra familiar num envelope que acompanhava meia dúzia de presentes escolhidos com a ternura de quem muito bem se quer e pouco se encontrara nos últimos anos. Parvoíces, um termo que se infiltrara nos subterrâneos da minha memória. Uma palavra de sentido duvidosamente pejorativo, que navegava pelo oceano de memórias do meu passado. Sabia que era impossível traduzir. Ainda tentei fazê-lo, mas era uma parvoíce traduzir intenções que só fazem sentido na cultura portuguesa. E assim, pus-me a relembrar as parvoíces vividas na última tarde de visita a Lisboa, na esperança de compreender o sentimento que percorre tão inusitado vocábulo.
Eram três horas da tarde de um escaldante domingo de Agosto. Embrenhei-me pelas estreitezas misteriosas de Alfama na direção do saudoso beco das origens, berço de meus pais. Vi-me cercada pelas alturas apertadas de préd…

Carta de uma estudante do Parque Oziel

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Campinas, 14 de junho de 2010

Olá! Luci Afonso, meu nome é Jéssica, tenho 14 anos e queria lhe dizer que gostei muito do seu livro.
Li ele pela metade, mas cada crônica que li, fiquei imaginando as cenas. Eu entendi quase todos, menos o "Suspeito moreno, alto e forte" que eu não entendi o final.
Mas você está de parabéns, o seu livro é muito bom! E interessante. Eu nunca gostei de ler, mas o seu livro despertou a minha imaginação. Quando eu começo a ler, não consigo parar até meus olhos arderem.
Eu gostei da crônica da mulher que consultava um psiquiatra que a tratava muito mal, e no final da história ela descobre que o psiquiatra e mais um homem eram assassinos.
E também gostei da crônica do menino que tinha inflamação nas pernas e ele não andava, achei muito interessante porque você usou muito a sua imaginação e eu também usei para entender a crônica. E foi muito solidário as duas senhoras que o ajudaram.
Parabéns, continue escrevendo!

Jéssica Françoso


Brasília, 27 de junho de 201…