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Mostrando postagens de Outubro, 2009

Escrever é...

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O escrever, assim como o pintar ou o trabalhar numa atividade qualquer, pode virar uma segunda natureza. O escritor verdadeiro é aquele que converte todas as sensações e pensamentos em linguagem. O mundo lhe vem filtrado através das palavras. Affonso Romano de Sant’Anna

Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Clarice Lispector

Sou mesmo forçado a escrever? Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Rainer Maria Rilke

Por que escrevo? Simplesmente porque é da minha natureza. Só consigo mesmo é fazer brotar palavra, história e ideia. Ana Maria Machado

Se você tem um dom, a coisa mais agradecida que pode fazer em relação a ele é aceitar, cuidar disso como um operário. Adélia Prado

Escrever é difícil, sim, aquele duro corpo a corpo com a palavra, mas assim que entro no imaginário, na fantasia me sinto bem por…

Clickr & Flickr

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O que seria da palavra sem a imagem? Como explicar esta sem aquela?
Em Clickr & Flickr (à direita da página), artistas multitalentosos — designers, ilustradores, pintores, fotógrafos —enriquecem as palavras com criações ousadas, polêmicas, líricas e sempre instigantes. Alguns estarão envolvidos com a nova safra de belos projetos recentemente aprovados pelo Fundo da Arte e da Cultura. Outros, como Felipe Cavalcante e Eudaldo Sobrinho (flickr ainda não encontrado), são autores do projeto do Guardião da Manhã, que encantou pela delicadeza com que refletiu as crônicas do livro. Muitos jovens, uns maduros, todos promissores. Desfrutemos da sua sensibilidade.
(Imagem: Detalhe da instalação "O Sonhador de Moradas", de Lelo.)


Twitter ou não twitter?

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“Os tais 140 caracteres refletem a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.”

José Saramago
(Revista Língua Portuguesa nº 48, outubro de 2009)

Quinta Crônica Especial

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Em comemoração ao Dia do Professor, o Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados tem o prazer de convidar para a 7ª edição do projeto Quinta Crônica, no dia 15 de outubro, às 16 horas, no Auditório do Cefor. Esta edição, especialmente dedicada aos educadores, trará crônicas de Rubem Alves, canções de Noel Rosa e terá a presença da cronista Alexandra Rodrigues e do poeta Elicio Pontes.

O mineiro Rubem Alves, um dos intelectuais mais conhecidos do Brasil, é teólogo, filósofo e psicanalista. Escreve crônicas, estórias infantis e livros sobre Filosofia da Educação. Segundo ele, “educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer”.
Alexandra Rodrigues, nascida em Lisboa, Portugal, e Elicio Pontes, natural do Ceará, dedicam-se à formação de professores na Faculdade de Educação da UnB e têm obras publicadas. Noel Rosa, o Poeta de Vila Isabel, revoluc…

O lobo da literatura

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(Trecho de entrevista com o escritor português António Lobo Antunes, por Terciane Alves.)


O senhor diz que escrever é difícil, trabalhoso. Como é, na prática, essa dificuldade?
Escrevo sempre à mão. Fiz assim com todos os meus livros e seguirei fazendo assim nos próximos. É um ir e vir constante. Dois terços das palavras que você escreve são inúteis. (O escritor argentino Julio) Cortázar costumava dizer: "Esses adjetivos são umas putas". Há palavras que surgiram para ser simplesmente cortadas, advérbios de modo, adjetivos. Se você escreve dez horas, duas você passa realmente escrevendo. As outras, cortando.
O que deve entusiasmar num livro?
O leitor sentir as emoções por meio de suas palavras. Não vou deixar que o livro me vença. É preciso criar o máximo que se possa. Encher os livros de silêncio.
Sobre a arte da leitura
O leitor é quem está escrevendo o livro. Ler é um ato criativo. E há poucas pessoas que sabem ler. Ler não é um ato passivo como quando a gente vê novela. Os liv…

Procura-se

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Luci Afonso
Não aprendi a miar, só a gemer. Fui abandonada no matagal e perseguida por seres gigantes (aprendi que eram pessoas), que mataram meus irmãos. Meu pelo branco se sujou de lama e minha barriga doeu pelo lixo que comi.
Uma noite, enquanto dormia, puseram-me numa caixa e levaram-me para um lugar cheio de bichos como eu (fiquei sabendo que éramos gatos). Ganhei água e ração. Fui arranhada e mordida e, para me defender, mordi e arranhei.
Colocaram-nos numa gaiola, e fomos para um lugar grande e barulhento (uma pétishóp, disseram). Pessoas entravam e saíam, carregando um de nós. Todos foram levados, menos eu. Ouvi coisas como “feinha”, “selvagem”, “doente”.
Depois de algum tempo, alguém perguntou:
— Só sobrou ela?
— Só, mas ela é muito boazinha.
Fiz barulho para chamar atenção. Queria muito sair dali.
— Ela não mia?
— Não, mas a senhora pode ensiná-la.
Feinha, selvagem, doente e sem saber miar? Quem iria me querer?
— Vou ficar com ela.
Mudei-me para um apartamento grande e confortável, o…