domingo, 25 de outubro de 2009

Escrever é...



O escrever, assim como o pintar ou o trabalhar numa atividade qualquer, pode virar uma segunda natureza. O escritor verdadeiro é aquele que converte todas as sensações e pensamentos em linguagem. O mundo lhe vem filtrado através das palavras. Affonso Romano de Sant’Anna

Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Clarice Lispector

Sou mesmo forçado a escrever? Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade. Rainer Maria Rilke

Por que escrevo? Simplesmente porque é da minha natureza. Só consigo mesmo é fazer brotar palavra, história e ideia. Ana Maria Machado

Se você tem um dom, a coisa mais agradecida que pode fazer em relação a ele é aceitar, cuidar disso como um operário. Adélia Prado

Escrever é difícil, sim, aquele duro corpo a corpo com a palavra, mas assim que entro no imaginário, na fantasia me sinto bem porque essa é a zona do mistério, a criação literária é um mistério. Lygia Fagundes Telles

Há mil maneiras de dizer uma coisa e só uma é perfeita. Para descobri-la, a gente pode levar a vida inteira. Fernando Sabino

O importante, no fim, é escrever com leveza. Luís Fernando Veríssimo

Quero que meus textos sejam comidos. Mais que isso: quero que eles sejam comidos com prazer. Esse é o sonho de cada escritor. Rubem Alves

Extraída de mim a leitura, que ser humano eu seria, e que ponto de partida teria para uma escrita? A leitura me precedeu abrindo portas, fornecendo respostas a perguntas que eu ainda não havia conseguido formular. Marina Colasanti

A marca dos livros que dão alegria é que se parecem com poemas: voltamos sempre a eles, para lê-los de novo. Livros que dão alegria entram no sangue. Rubem Alves

Para os poetas não existe parto sem dor. Mário Quintana

Ler e reler poesia/ é acender a luz/ que clareia o dia. Elicio Pontes

O nome das coisas mora nas palavras, circulando entre corredores de mistério e de espanto. Alexandra Rodrigues

Não há melhor fragata que um livro/ para levar-nos a terras distantes. Emily Dickinson

A melhor maneira de começar a sonhar é através dos livros. Fernando Pessoa

Minhas crônicas são fotografias. Escrevo para fazer ver. Rubem Alves

Para mim não existe diferença entre a literatura e a vida. A literatura foi o caminho que eu encontrei para enfrentar essa bela tarefa de viver. Ariano Suassuna

Escrever para mim é indagar. Escrevo para obter respostas que — eu sei — não existem. Lya Luft

Palavras são silêncios acordando para a Vida. Alexandra Rodrigues

Na vibração da voz grave/ o estremecimento/ de um terremoto suave. Elicio Pontes

Depois que uso uma palavra nova, ela me beija. Quer dizer que gostou de mim. Eu sou de bem com as palavras que uso porque elas me são. Manoel de Barros

Escrever é o meu jeito de ficar por aqui. Cada texto é uma semente. Depois que eu for, elas ficarão. Quem sabe se transformarão em árvores! Torço para que sejam ipês amarelos... Rubem Alves

Por que algumas pessoas têm necessidade de viver duas vezes? Uma vez quando vivem e outra quando escrevem? E por que esta segunda vez é mais importante que a primeira? O escritor é aquele que pode ler a noite. Marguerite Duras

É o compromisso mais avançado que eu tenho com a vida: nada me enriquece mais do que quando eu passo em revista a realidade da criação. Nélida Piñon

Escrevo para salvar a alma. Fernando Pessoa

Silêncios são palavras descansando do mundo. Alexandra Rodrigues

O mundo ao nosso redor,/ Sendo nós que o habitamos,/ Também nós o transformamos/ Com poesia e suor. Carlos Augusto Cacá


(Frases escolhidas para o estande O Servidor Escritor, em exposição no hall de entrada do Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento (Cefor), da Câmara dos Deputados, de 27 a 30 de outubro, das 9 às 18h.)
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domingo, 18 de outubro de 2009

Clickr & Flickr


O que seria da palavra sem a imagem? Como explicar esta sem aquela?

Em Clickr & Flickr (à direita da página), artistas multitalentosos — designers, ilustradores, pintores, fotógrafos —enriquecem as palavras com criações ousadas, polêmicas, líricas e sempre instigantes.
Alguns estarão envolvidos com a nova safra de belos projetos recentemente aprovados pelo Fundo da Arte e da Cultura. Outros, como Felipe Cavalcante e Eudaldo Sobrinho (flickr ainda não encontrado), são autores do projeto do Guardião da Manhã, que encantou pela delicadeza com que refletiu as crônicas do livro.
Muitos jovens, uns maduros, todos promissores. Desfrutemos da sua sensibilidade.

(Imagem: Detalhe da instalação "O Sonhador de Moradas", de Lelo.)


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Twitter ou não twitter?

“Os tais 140 caracteres refletem a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.”

José Saramago

(Revista Língua Portuguesa nº 48, outubro de 2009)
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Quinta Crônica Especial



Em comemoração ao Dia do Professor, o Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados tem o prazer de convidar para a 7ª edição do projeto Quinta Crônica, no dia 15 de outubro, às 16 horas, no Auditório do Cefor. Esta edição, especialmente dedicada aos educadores, trará crônicas de Rubem Alves, canções de Noel Rosa e terá a presença da cronista Alexandra Rodrigues e do poeta Elicio Pontes.

O mineiro Rubem Alves, um dos intelectuais mais conhecidos do Brasil, é teólogo, filósofo e psicanalista. Escreve crônicas, estórias infantis e livros sobre Filosofia da Educação. Segundo ele, “educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem. O que se pode fazer é ajudá-los a nascer. Para isso eu falo e escrevo: para que eles tenham coragem de nascer”.

Alexandra Rodrigues, nascida em Lisboa, Portugal, e Elicio Pontes, natural do Ceará, dedicam-se à formação de professores na Faculdade de Educação da UnB e têm obras publicadas. Noel Rosa, o Poeta de Vila Isabel, revolucionou a música popular brasileira ao incorporar o samba produzido nos morros cariocas.

O espetáculo será conduzido pelo ator Jones Schneider, idealizador do projeto, acompanhado pelo músico Alex Souza. O evento é aberto ao público em geral, que poderá fazer perguntas aos convidados. Em seguida, haverá sessão de autógrafos.

Celebre esta data na companhia de educadores que também vivenciam o prazer da escrita. Esperamos você para uma estimulante troca de ideias sobre a alegria de aprender e de ensinar.

Quinta Crônica Especial
Dia 15 de outubro
16h
Auditório do Cefor
Entrada franca
Informações: 3216-7678



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O lobo da literatura



(Trecho de entrevista com o escritor português António Lobo Antunes, por Terciane Alves.)


O senhor diz que escrever é difícil, trabalhoso. Como é, na prática, essa dificuldade?

Escrevo sempre à mão. Fiz assim com todos os meus livros e seguirei fazendo assim nos próximos. É um ir e vir constante. Dois terços das palavras que você escreve são inúteis. (O escritor argentino Julio) Cortázar costumava dizer: "Esses adjetivos são umas putas". Há palavras que surgiram para ser simplesmente cortadas, advérbios de modo, adjetivos. Se você escreve dez horas, duas você passa realmente escrevendo. As outras, cortando.

O que deve entusiasmar num livro?

O leitor sentir as emoções por meio de suas palavras. Não vou deixar que o livro me vença. É preciso criar o máximo que se possa. Encher os livros de silêncio.

Sobre a arte da leitura

O leitor é quem está escrevendo o livro. Ler é um ato criativo. E há poucas pessoas que sabem ler. Ler não é um ato passivo como quando a gente vê novela. Os livros que eu gosto de ler são os livros que exigem muito de mim. Daí eu estou a pensar se os livros em vez de ter o nome do escritor, deviam ter o nome do leitor na capa. Ele é quem de fato escreve o livro. Quem começa a ler um livro bom sempre descobre coisas acerca de si mesmo. Livros extraordinariamente simples são os mais complexos.


(Revista Língua Portuguesa nº 47, setembro de 2009)

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domingo, 4 de outubro de 2009

Procura-se




Luci Afonso

Não aprendi a miar, só a gemer. Fui abandonada no matagal e perseguida por seres gigantes (aprendi que eram pessoas), que mataram meus irmãos. Meu pelo branco se sujou de lama e minha barriga doeu pelo lixo que comi.

Uma noite, enquanto dormia, puseram-me numa caixa e levaram-me para um lugar cheio de bichos como eu (fiquei sabendo que éramos gatos). Ganhei água e ração. Fui arranhada e mordida e, para me defender, mordi e arranhei.

Colocaram-nos numa gaiola, e fomos para um lugar grande e barulhento (uma pétishóp, disseram). Pessoas entravam e saíam, carregando um de nós. Todos foram levados, menos eu. Ouvi coisas como “feinha”, “selvagem”, “doente”.

Depois de algum tempo, alguém perguntou:
— Só sobrou ela?
— Só, mas ela é muito boazinha.

Fiz barulho para chamar atenção. Queria muito sair dali.
— Ela não mia?
— Não, mas a senhora pode ensiná-la.

Feinha, selvagem, doente e sem saber miar? Quem iria me querer?
— Vou ficar com ela.

Mudei-me para um apartamento grande e confortável, onde nada me faltava. Ganhei um ratinho de brinquedo, um colar com meu nome, uma casinha. Procurava retribuir os cuidados da senhora comportando-me bem, engolindo os comprimidos que ela me dava, usando sempre a caixinha de areia e não derrubando nada.

— Miau! - ela tentava me ensinar todo dia, pondo-me no colo. — Miau! - ela insistia.

Engordei, meu pelo ficou brilhante, não precisei mais de remédios. Todos me achavam linda.

A senhora é que não estava bem. Dormia quase o dia inteiro, andava devagar pela casa, a cabeça baixa, os olhos molhados. Um dia resolvi fazer-lhe uma surpresa: pulei na cama bem cedo, cheguei perto do seu rosto e disse “Miau!” pela primeira vez.

Ela não acordou (entendi o que era saudade).


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© LUCI AFONSO| A Crônica Brasileira