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Olho de Ciclone

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Eneida Coaracy Vejo a veia nervosa  Conectar o céu e a terra.  Vejo grossas lágrimas encharcarem  O solo apavorado cá em baixo.  Vejo o jato irado e molhado  Tombar sobre a vida,  Cair rumo abaixo.   Vejo a queda contorcida.  Vejo nuvens delirarem.  Inchadas, transbordarem.  Telhados, postes, fiação,  Tudo a dançar ao relento  A loucura dos sons do vento.  Vejo o canal lacrimal de Deus  Inchar e chorar  As dores do mundo.  Doido, perdido na Ventania  que assoprou os trastes do homem,  Está o homem nu.  O homem vê uma cicatriz no céu.  O homem vê os nervos de Deus.   Eu, no meu lamento,  Maldigo as cicatrizes da cidade.  Vejo o mundo ao redor de pernas pros ares.  Vejo as veias do firmamento repuxarem nuvens,  Assustarem o solo encolhido cá em baixo. Vejo a negra vastidão solitária.  Vejo uma cicatriz no céu  Doer no olhar.   Vejo o...