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A vista de cima

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                                                                                                                                    Luci Afonso Beatriz e Cecília Valentina brincam embaixo de um jovem ipê amarelo. Uma delas sobe no pequeno galho onde despontam os primeiros brotos, a menos de dois metros de altura. — Como é a vista aí de cima? — pergunta Beatriz, que está no chão. Cecília Valentina observa em volta e responde, com enlevo: — É linda, Beatriz! Saio cedo para caminhar. Uso chapéu bordado e levo câmera de bolso para registrar os acontecimentos diários — flores caídas, folhas ao vento, pessoas ao despertar. É a melhor parte do dia, ...

Bom dia, Deus

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Luci Afonso Não uso despertador. Às sete em ponto, minha gata Hannah abre a porta do quarto e pula na cama, querendo pescocinho — nome que dei ao carinho no pescoço, que a faz ronronar de prazer. Em troca, ela me lambe com sua linguinha áspera e morde meu dedão do pé, seu eu não estiver acordada. O pescocinho é repetido várias vezes ao dia, e é ela que determina a duração. Quando está satisfeita, levanta-se e vai cuidar da vida. Durmo mais um pouco. Às sete e quarenta e cinco, Anacleide traz a bandeja com o café da manhã, junto com uma flor que ela roubou no caminho. Não, ela não é homoafetiva, é uma alma pura que se apaixonou por mim e me cerca de cuidados, como se tivesse adotado uma criança grande.    Preparo-me para caminhar. Faz um pouco de frio, mas eu gosto assim. Me aconchego em mim mesma e dou três voltas na quadra. A cada dia aumento o trajeto, em busca de mais endorfinas.  Depois do banho morno, coloco o vestido longo que sempre uso em casa e os co...

Para Olivia

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Luci Afonso Olivia querida, Quando soltamos os balões coloridos em direção ao céu e dissemos em coro “Elicio! Elicio!”, senti-me tão viva!  Quanto mais alto voavam, mais forte era meu desejo de viver. Me perdoa? Seu grito “Acaboooou!”, quase partindo-a em duas, ecoa em mim após tantos dias. Onde encontrou forças para colocar a poesia na roda? Como se lembrou de distribuir rosas, poemas e balões coloridos? Por que agradeceu, quando é você que merece gratidão? Ao velar o corpo de Elicio, você parecia cuidar de um filho no berço ou de uma planta no jardim. Você reparou que o sol se escondeu, que as nuvens escureceram, que o vento se aquietou? O tempo fechou os olhos e fez um minuto de silêncio para que vocês se despedissem em paz. Outros falecimentos aconteciam à nossa volta naquela tarde, mas nenhum de um poeta, como o nosso. Dizem que o outono é a estação do ano preferida de quem parte (talvez pela temperatura amena), e a mais temida de quem fica. Dizem também que o fim...

Posse na Academia Internacional de Cultura - AIC

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Brasília, DF, 31 de março de 2016

Boas-Vindas

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Luci Afonso Bom dia. Confesso que não esperava sua visita. Não acreditei quando me contaram que o senhor havia chegado. Por que eu? Por que agora? Por que para sempre? Não poderia esperar mais um pouco? Esforcei-me para acomodá-lo, mas no fundo eu me rebelava contra sua presença em minha vida. Claro que eu tinha ouvido falar do senhor, mas parecia algo tão remoto. Nunca pensei vê-lo de perto. De dentro. Ao lado. À frente. Não sei como dizer... O senhor não é bem-vindo. Perdoe a franqueza, mas sei que já ouviu isso antes. Eu queria que nunca tivesse me olhado, que nunca tivesse me tocado. Eu seguiria tranquila. Agora que veio, porém, é preciso recebê-lo bem. Arrumar o quarto, fazer a cama, espanar os móveis. Um hóspede será sempre um hóspede. É bom perguntar o que pretende, do que precisa, quanto tempo planeja ficar. Ou há alguma maneira de convencê-lo a ir embora? Desde que o senhor chegou, não durmo direito. Passeio pela varanda, conversando com a noite. Não ten...

Monstrinho

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Luci Afonso Nossa rua tem um retardado que vive numa cadeira de rodas. O nome dele é Geraldo, mas longe dos adultos nós o chamamos de Monstrinho. Fui eu que inventei o apelido, porque ele se parece muito com um monstro que tem no livro da escola. Geraldo é filho do Zedelino, dono do boteco na esquina com a avenida Getúlio Vargas. O lugar vive cheio, ora de pinguços jogando truco, ora de crianças encardidas comprando balinhas. Todo mundo diz que o Zedelino tem muito dinheiro guardado, mas ninguém tem certeza. Ele só usa roupas surradas e dirige uma Kombi caindo aos pedaços para transportar mercadorias. Eles moram nuns cômodos fedidos no segundo andar do boteco. Monstrinho passa o dia na janela, olhando o movimento. Só sai para ir ao médico na Santa Casa. Dizem que ele vai viver pouco, por causa do retardamento. Também, pra que viver muito desse jeito? Melhor morrer logo. Igual à mãe dele, que morreu no parto. Ele nos observa com atenção enquanto jogamos bola ...

RESULTADO - PRÊMIO CAMPOS DO JORDÃO DE LITERATURA 2015

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Comunicamos abaixo o resultado final do Prêmio Campos do Jordão de Literatura 2015. Lembramos que a cerimônia de premiação será realizada no dia 21 de novembro de 2015, sábado, a partir das 15h, na Câmara Municipal de Campos do Jordão (Rua Inácio Caetano, 490). AUTORES JORDANENSES: Poesia Terceira Idade: Tema: ‘Campos do Jordão, Meu Amor!’ 1. Helena Therezinha Moysés da Silva 2. Sergio Giudice 3. Maria Galvão Redação Terceira Idade: 1. Lugar: Teresa Obara POESIA: 1. Lugar: Marcelo Basso Ribeiro (texto: ‘Sinótico’) 2. Lugar: Adriana Harger (texto: ‘Inverno’) 3. Pedro Roberto da Silva (texto: ‘Por Dentro’) CONTO: 1. Lugar: Ademir Antonio de Mello (‘A Primeira Vez Que Chorou’) 2. Lugar: André Luiz Falacho Torres (‘O Homem que Desenlouqueceu’) 3. Lugar: Josielly de Jesus Tavares ( ‘Rosemary’) MANGÁS ACIMA 18 ANOS 1. Lugar: Rogério Morais (‘Shiriyu-Dragão’) 2. Lugar: Aline de Almeida Prado (‘Kenshin e Kaoru) 3. Lugar: Victor Johann Fonzo...