Olhe para ele

Leonardo Oliveira






Olhe para ele. Qual queixo não caiu ao vê-lo passear pela rua? Quantas moças, ou até mesmo rapazes, não suspiraram quando viram seu sorriso pela primeira vez?

Cada traço do seu rosto parece ter sido esboçado cuidadosamente por um pincel do paraíso, criando a mais perfeita harmonia: delicada, porém viril. Seu corpo desenhado desperta desejo em qualquer um, e seus músculos, envoltos na pele morena e brilhosa, mostram-se prestes a explodir testosterona quando flexionados. Ele honra o falo que tem, sendo um exímio representante da espécie masculina. Quando anda, o vento abre alas para sua passagem, os pássaros sentem vontade de cantar, o sol brilha ainda mais. Os olhos alheios, lacrimejando, passeiam por aquele mar de virilidade, embebidos de luxúria.

Os rapazes o invejam. Talvez até sintam uma ponta de desejo suprimida em seus interiores e surpreendam-se ao serem pegos por uma ereção involuntária, tocando-lhes uma parte desconhecida de si mesmos.

Em meio a todos aqueles atributos — beleza, inteligência e capacidade — não é de se acreditar que haja algum erro em seu código genético. Foi projetado para não ter falhas. Não há cicatrizes em seu corpo ou alma e não há quem aponte defeitos em seu caráter.

Até hoje, ele espera por alguém que venha a notar seu belo coração antes de notar seu belo rosto e esquecer-se de todo o resto.

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