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Mostrando postagens de 2017

Poesia e Poema

Octavio Paz
“Nem todo poema contém poesia. Há máquinas de rimar, mas não de poetizar. Por outro lado, há poesia sem poemas; paisagens, pessoas e fatos muitas vezes são poéticos: são poesia sem ser poemas. Quando a poesia se dá como condensação do acaso ou é uma cristalização de poderes e circunstâncias alheios à vontade criadora do poeta, deparamos com o poético. Quando o poeta é o fio condutor e transformador da corrente poética, estamos na presença de uma coisa radicalmente diferente: uma obra. Um poema é uma obra. O poético é poesia em estado amorfo: o poema é criação, poesia erguida, ponto de encontro entre a poesia e o homem.”

Nova Senhora dos Gatos

Está pronta a segunda edição da Senhora dos Gatos. Você está pronto para essa beleza? Ilustrações: Márcia Bandeira e Lelo Projeto gráfico: Patricia Meschick Prefácio: Alexandra Rodrigues


Pedidos: luciafonso99@gmail.com

CRÔNICA & VOZ (página acima)


A testemunha, na voz de Cristina Leme.
Comentário
“Lindo e melancólico. Um jeito de Luci que volta a perscrutar a alma das coisas, aparentemente por acaso. A percepção do detalhe e das possibilidades do homem em seu mundo habitual. Tantas secas que esperam por diferentes chuvas... Nossa! Que simplicidade linda mesmo. Mas decididamente melancólica.”
Cinthia Kriemler, escritora



Poemas Amantes, na voz de Cristina Leme.
Comentário
Poemas Amantes é uma pequena obra-prima? Poderá ser, mas não apenas por ser pequeno, o molde de texto mais apreciado deste século: que se bebe de um trago, como umas gotas de nevoeiro, uma taça de espumante, ou a hóstia na boca da beata. (...) além da perfeição formal, da síntese de conteúdo, (...) prova que o clarão poético que brilhou em salões de Paris, do Rio ou do Porto nas mortas noites de novecentos pode ressurgir ou ressuscitar.”
Antero Barbosa, Portugal, no ensaio Nocturno em Sol Maior, sobre a 1ª edição de Velhota, eu?) Lei…

Conto, história, crônica em Fernando Sabino

Com a designação um tanto circunstancial de conto quando na terceira pessoa, história quando experiência pessoal e crônica quando em tom reflexivo, pode-se dizer que na verdade se trata de um gênero literário próprio, peculiar a Fernando Sabino: um relato curto de fatos colhidos da realidade, com tratamento de ficção, em linguagem nítida, sem os ornatos da retórica tradicional, mas de técnica apurada e respeito aos requisitos da clareza, concisão e simplicidade. São episódios, incidentes, reminiscências, reflexões, encontros e desencontros por ele vividos na sua “aventura do cotidiano”, apresentados com rica inventiva, como se o próprio leitor participasse —, nisso residindo o seu maior fascínio. Sob a aparente singeleza, transparecem a sensibilidade, o humor, a ironia, às vezes o espírito satírico — mas sobretudo a solidária simpatia com que o autor surpreende o que há de belo, delicado ou hilariante na natureza humana.

(Texto exibido na contracapa de “Os melhores contos de Fernando S…

Anseios crípticos

Tarlei Martins
[Porque hoje é dia dele, sua majestade, o Livro]
Acredito que somos todos especialistas em leitura. No entanto, há um mundo de textos escritos em linguagem críptica que mal soletro. Eu não consigo ler o que as células estão escrevendo no secreto de mim.
Eu não consigo ler o que as galáxias estão escrevendo nas espirais de si mesmas.
Eu não consigo ler o que está escrito no meu inconsciente – e que me comanda.
Eu não consigo ler o que está escrito nas estrelas.
Eu não consigo ler o recado dos sonhos.
Eu não consigo ler a lógica das emoções.
Eu não consigo ler o sentimento de uma árvore.
Eu não consigo ler o pensamento de uma mesa.
Eu não consigo ler o alfabeto da matéria.
Eu não consigo ler o código da vida.
Eu não consigo ler a órbita dos planetas.
Eu não consigo ler a mecânica celeste.
Eu não consigo ler a física quântica.
Eu não consigo ler a origem do universo.
Eu não consigo ler a origem das espécies.
Eu não consigo ler o avesso das palavras.
Eu não consigo ler o percurso dos vent…

Vamos brindar

Luci Afonso
Ela passa o café, põe na xícara e vai até a janela rústica da cozinha, que dá vista para o quintal. Veste uma blusa branca de algodão e soltou o cabelo. Acabou de escrever um poema. Observa, ao longo do córrego que atravessa a fazenda, os galhos das árvores balançando quase em câmera lenta. Não há dúvida em seu coração.  
A notícia chega pelas redes sociais. Só pode ser engano: após lutar quarenta dias na UTI devido a um infarto, morreu a jovem poeta de fala mansa, voz de veludo, sorriso constante. Em seguida, o filho, que não suportou viver sem a mãe, se matou e foi sepultado junto dela.  Meio distraída, meio maluca, como são os poetas, quando apresentava um sarau, não tinha hora para começar, não seguia nenhuma ordem aparente e terminava sempre em forró. Gostava tanto de falar em público que às vezes era preciso interrompê-la para que outros tivessem vez. Amava as pessoas humildes, de pouca instrução, pois muitas delas nunca haviam tocado num livro. Explicava-lhes, com pac…

Para ser escritor é preciso ser inquieto

Entrevista com João Anzanello Carrascoza Texto: Ana Holanda (trechos) Revista “Vida Simples”, junho 2017
Como a escrita aconteceu na sua vida?
Ela apareceu pela leitura. Primeiro pela leitura do mundo, depois pela oralidade, ao ouvir as histórias contadas. Em seguida, quando aprendi a ler, vieram os livros. Sendo leitor, à medida que lia e ouvia, queria também pôr algo a mais naquelas histórias. E contar para o outro é contar com aquilo que você tem dentro. Então você já conta diferente. Me encantava fazer isso. Eu não sabia, mas já estava escrevendo.
A escrita passa por um filtro individual?
Sim. Várias pessoas podem ler o mesmo fato, sentir de maneiras diversas e relatar de modos diferentes. Cada um tem a sua maneira de sentir, pode ser mais ou menos afetado por aquele fato. Isso tem a ver com a sensibilidade diante das coisas. À medida que você lê o mundo, o está escrevendo.
De onde brota a inspiração para construir uma história?
Da vida. O mundo em que você vive te impacta, te afeta de di…

Quizz Relâmpago nº 5

AGORA NO FACEBOOK


O prefácio de “O Guardião da Manhã” foi escrito por um músico. Quem é ele? Como ele se autointitula? Quais os dois importantes músicos citados no prefácio?
Atenção: desta vez, três perguntas devem ser respondidas.
As duas primeiras respostas corretas ganharão um livro meu autografado a escolher ou o livro “O Som e o Sentido – uma outra história das músicas”, de José Miguel Wisnik, Companhia das Letras, 2011. Acompanha CD.
Leia a resenha do livro: https://www.dianagoulart.com.br/o-som-e-o-sentido
Valendo!




"Quizz Relâmpago" no Facebook

Responda a perguntas sobre minha obra e ganhe livros e outros objetos culturais.

Publicação no Facebook:
O próximo "Quizz Relâmpago" continuará sendo sobre minha obra, mas desta vez o prêmio será o livro "Sem Receita", de José Miguel WISNIK, Publifolha, 2004. Explico: estou me desfazendo de parte da minha biblioteca, porque livros excelentes como este estão parados, sem utilidade. Todos em excelente estado de conservação. Não tenho tempo para lê-los, mas quero deixá-los em boas mãos, de pessoas que realmente tenham interesse no assunto. A entrega é pelos Correios. Contribuição consciente para o frete. Acompanhe o "Quizz Relâmpago"! Exclusivamente no Facebook. Leia artigo sobre o livro de Wisnik:
José Miguel Wisnik lança "Sem Receita"
Autor de ensaios antológicos sobre Guimarães Rosa e Machado de Assis, o professor de literatura, ensaísta e compositor José Miguel Wisnik lança um novo livro, “Sem Receita”, em que a fórmula "três em um" for…

Série Personagens - Velhota, eu?

A cadelinha Vivi em "Cala a boca, cachorro!" Arte: Eudaldo Sobrinho



                                                                    "Homo Simius"
                                                            Arte: Eudaldo Sobrinho




"Barriguda" Arte: aluno de ensino fundamental em Araxá, MG


(continua)

É crônica tudo aquilo que for manchete na alma do cronista

Prefácio à primeira edição de Velhota, eu? Marco Antunes
A melhor definição que se pode oferecer de crônica vale-se da característica fortemente jornalística do gênero para afirmar que é crônica tudo aquilo que for manchete na alma do cronista. Desabem sobre o mundo as torres da insensatez humana, para o cronista, no entanto, sem traumas ou vergonha, a grande notícia do dia pode ter sido a morte de um simples quati na garagem de seu prédio. Se a dor do escritor não pode, sob certa medida, competir com o peso dramático das muitas vidas que se perdem nas longas e insanas guerras mundo afora, pode, por seu turno, ostentar a certeza de toda a dor sobrestante de suas batalhas pessoais. Que pode o mundo contra seus olhos? Ou, mais grave, que peso há de ter a dor do mundo se lhe dói de amor um coração? Repórter desse drama microscópico, ele, o cronista, nos envia do fronte o desesperado relato de uma flor que sucumbe à indiferença da tarde. É essa sua manchete! E que não lhe julguem os qu…

VI Festival Literário de Araxá

Festival reúne grandes nomes da literatura lusófonaUma mistura de linguagens, arte e conhecimento irá movimentar Araxá entre os dias 15 e 19 de novembro, palco da sexta edição do Fliaraxá – Festival Literário de Araxá. Com programação variada, que inclui oficinas, lançamento de livros, sessão de autógrafos, teatro, painéis, saraus, contação de histórias, música, exposição e a grande novidade: o “Diálogos em Espiral”, que pretende desconstruir o velho modelo de debates e mesas, onde o público interage com os autores com mais dinamismo. O tema, “Língua, Leitura e Utopia” será o grande eixo de conteúdo onde “a utopia entra como reflexo das possibilidade de transformação social e cultural que o País e o mundo necessitam”, afirma o curador e criador do Festival, Afonso Borges. Pela primeira vez, o evento vai acontecer no Tauá Grande Hotel de Araxá.
O VI Fliaraxá contará com a presença de nomes importantes da literatura lusófona, entre eles, Mia Couto, Arménio Vieira (maior nome da literatur…

Espaços da vida

Luci Afonso
— Tia, quer ganhar um dinheirinho? Preciso de revisor para minha dissertação. Tomara que você aceite.

—Minha memória não anda muito boa, posso deixar passar algum erro.

— Não tem problema, é só um pente fino. Tomara que haja poucos erros.

— Então, tá.

— Quanto é, tia?

— Dois beijinhos.

— Valeu. Tô mandando. São só 274 páginas... — Só?

— Bem, na verdade, 274 são os dois primeiros capítulos que estão prontos... Tomara que eu termine os outros dois a tempo.

— Pra quando você precisa?

— Pra segunda. (Estamos no sábado.) Tomara que você consiga.

— Deixa comigo!

Meu sobrinho é um guerreiro de Esparta. Depois de se formar em Arquitetura,  escolheu, para tese de mestrado, um tema difícil e pouco estudado: os espaços da morte.  Percorreu cemitérios e casas funerárias, entrevistou servidores da FUNAI e do Patrimônio Histórico. Fez todo o trabalho na biblioteca da universidade, porque não podia comprar os livros para a pesquisa. Mergulhou fundo: durante meses, chegava cedo e só se levantava p…

Falar do quê?

Luci Afonso
Acordo na manhã fria em meio a esperanças e medos. A vontade é dormir mais, porém as palavras já me espiam atrás da porta. Vão chegando devagar, a princípio tímidas, logo atrevidas. Sobem na cama, arregaçam a cortina e fazem cócegas até eu me levantar. Me empurram em direção ao banheiro, separam os remédios na primeira gaveta do criado-mudo, trazem meu vestido de escrever. Após o café, me arrastam para o computador. A tela branca as enlouquece. Algumas já escolhem seu lugar, mesmo sabendo que é provisório. As mais íntimas se sentam em meus ombros, esperando sua vez, e a maior parte se divide em grupos animados, certas de que serão usadas. Todo dia lhes pergunto: vamos falar do quê? E elas respondem: ah, dequalquer coisa! Tenho pressa: as esperanças aumentam ao longo do dia, enquanto os medos diminuem, mas eles voltam à noite, trazendo suas amigas, as dores. Difícil escrever quando elas chegam. Às 10 horas, fazemos um intervalo para outra xícara de café. Precisamos estar bem de…

Carta de Agradecimento da E.M.Profa. Auxiliadora Paiva

Araxá-MG, 28 de junho de 2017.
Prezada Sr.ª Luci Afonso,
A “arte” de agradecer deve ser um compromisso de todos, mas precisa ser uma constante em todas as instâncias do espaço escolar e educacional. Estamos certos de que reconheces que por diferentes e diversas vezes manifestamos nosso agradecimento e nossa gratidão por conosco participar na vida e da vida da E.M. Auxiliadora Paiva. Manifestamos nosso agradecimento quando esteve conosco em novembro de 2016 e foi entrevistada por nossos alunos. Foi um dos maiores incentivos para a leitura por parte de nossos alunos. Ficamos encantados com sua presença e sensibilidade no trato com aquelas crianças e jovens. De novo voltaste à Escola nas comemorações do “Dia do Livro” em abril deste ano, quando também recebemos dois membros da Academia Araxaense de Letras (Tarcísio Cardoso e Hermes Honório da Costa). Foi um encontro consagrador, pois os alunos da Escola também se envolveram muito e aprenderam riquíssimas lições. Sua presença, participação e f…

Enfim, pós!

Já tenho o sonhado Diploma de Curso Superior exigido para a pós-graduação. Agora só falta escolher o curso. 





Nota de Esquecimento

Luci Afonso

Brasília, 20 de agosto de 2017
Caro leitor,
Desculpe a desatualização. É que me afastei temporariamente da minha profissão escritora. Estive buscando o amor no lugar errado. Alimentei-me de gestos rudes em vez de carícias. Vivi de passado e de futuro. Desabitei o “agora”. Achei que podia prescindir das palavras. Esqueci que elas são meu oxigênio, minha lucidez, minha identidade. Confundi primo com pai, tia com mãe, criança com homem, amigo com predestinado. Cheguei à extrema solidão de dois. Mas graças a você estou de volta. Hoje reparei no intenso amarelo dos ipês em meio à seca. Meu filho tirou uma foto sorrindo. Dei à luz a primeira crônica nascida no depois. Obrigada por não desistir de mim. Um abraço,
Luci

Imagem: A Primeira Bailarina, Edgar Degas                http://noticias.universia.com.br

Colação de Grau

Sessão de fotos e escolha da beca para a Colação de Grau no Curso de Licenciatura em Letras - Português Universidade Católica de Brasília 14.06.17




Meu filho, Ramón

Minha mãe, Jacy

Minha irmã Luciana



De volta a Brasília

Encontro com o Autor Escritora convidada: Luci Afonso A escritora e revisora Luci Afonso conversa com o público sobre literatura no dia 26 de junho, às 17h, na Biblioteca da Câmara dos Deputados.
O Centro Cultural e o CEDI da Câmara dos Deputados promovem na última segunda-feira do mês um evento chamado Encontro com o Autor. Sempre na Sala de Leitura da Biblioteca da Câmara dos Deputados, o evento começa com um tempo de meia hora para o autor convidado falar de sua obra, influências e interesses. Esgotado esse tempo, os presentes podem por uma hora dirigir perguntas ao autor convidado sobre seu estilo, método de trabalho, inspiração, autores favoritos, fontes de pesquisa, processo de edição e distribuição de suas obras. Terminado o tempo das perguntas, será servido um breve lanche durante o qual os convidados poderão interagir diretamente com o autor. O evento terá inscrições via WEB ou pelo e-mail nucleodeliteratura@camara.leg.br. Em junho, o encontro acontecerá no dia …