domingo, 19 de outubro de 2014

Mão na cabeça

    

 

 

Luci Afonso

 

 — Mão na cabeça! — gritou a Sargento Ivone.

 — Deitado no chão! — mandou o Soldado Bocca.

 O ladrão ficou confuso. Os policiais repetiram as ordens. Na dúvida, ele se deitou no chão e pôs as mãos na cabeça, sendo logo algemado e conduzido à viatura.

  O Cabo Elias aguardava ansiosamente a chegada do último camburão para saber se poderia dormir um pouco. Ouviu a primeira porta do veículo se abrindo; ouviu a segunda (o coração sempre disparava nessa hora); ouviu a terceira, o que significava que algum infeliz fora preso. Sentiu vontade de chorar: ficaria até de manhã sem dormir, lavrando a ocorrência nos mínimos detalhes.

— Culpa sua.  Culpa sua! — ele reclamou ao colega de plantão, que não lhe dava sossego. No dia seguinte, andaria pela casa como um autômato, sem que o sono viesse. Isso ocorria pelo menos três vezes na semana, o que vinha lhe causando uma estafa permanente.

A Sargento Ivone também estava com dificuldades. Na manhã seguinte, foi chamada à sala do chefe.

 — Bom dia, Doutor.

 — Bom dia. Acomode-se, Sargento.

 O delegado tinha a ingrata missão de transmitir uma queixa à subordinada. Começou elogiando a dedicação, a competência, a pontualidade, a assiduidade. Quando ia entrar no assunto, foi interrompido com firmeza:

 — Um momento, Doutor — Ivone percebeu que a conversa era confidencial, pelo tom de voz do chefe. Levantou-se, trancou a porta do gabinete e aproximou sua cadeira da mesa.

— Agora o senhor não precisa cochichar.

 — Os colegas estão reclamando que você não está ouvindo bem e que isso está prejudicando seu desempenho — ele disse, sem rodeios.

 — Desempeno? Alguma quadrilha de desmonte? Pode deixar comigo...

 — Não, Ivone. Estamos achando que você está com a audição comprometida. Além de não ouvir direito, você tem gritado com todo mundo.

 — O senhor pode falar mais alto?

 — Você tem algum caso de surdez na família? — ele perguntou, elevando a voz.

 — Só minha avó, minha mãe, meu tio e meu irmão. Por quê?

 — Acho que você também está com problemas. Tire folga amanhã e vá fazer os exames.

 — Alguém reclamou de mim, doutor? Foi o Bocca, não foi? Ele nunca me aceitou como superior...

 — Dispensada, Sargento.

 Ivone retornou a seu posto. Ficou calada o restante do dia e inventou uma dor de dente para não almoçar com Bocca no self-service ao lado, como sempre faziam.

 A fonoaudióloga constatou severa perda de audição nos dois ouvidos e prescreveu um aparelho para surdez. Era caríssimo. O delegado estava doido se pensava que Ivone ia gastar uma fortuna daquelas.

Conversando com a mãe, também quase surda, as duas tiveram uma ideia brilhante: para economizar, uma usaria o aparelho no ouvido direito e a outra, no esquerdo. Fizeram o teste; funcionou. Elas só tinham que inclinar levemente a cabeça de acordo com a posição do interlocutor.

No plantão seguinte, a Sargento Ivone deu de cara com o delegado e posicionou o ouvido direito em sua direção.

— Então, Sargento, fez os exames?

— Positivo, Doutor.

— Vejo que está usando aparelho. Está ouvindo melhor?

— Alto e claro, Doutor.

 — Muito bem, Sargento. Dispensada.

Um problema a menos, pensou o delegado, mas havia outros a resolver. Mandou chamar o Cabo Elias. Era uma questão delicada. O rapaz franzino, de olhos arregalados, bateu de leve à porta.

— Boa noite, Doutor.

— Boa noite, Cabo. Sente-se, por favor. Precisamos conversar.

— Algum problema, Doutor?

— Não, quer dizer, eu é que lhe pergunto: algum problema?

— Não, Doutor, tudo em ordem. Por quê?

— Não leve a mal, mas os colegas têm achado seu comportamento estranho. Você anda muito irritado, sem concentração para fazer as ocorrências e...

— Pode falar, Doutor.

— Bem, eles dizem que você anda falando sozinho, como se estivesse brigando com alguém.

— É esse sujeito que vive me atormentando — disse o Cabo Elias, apontando a cadeira ao lado.

— Hummm... — o delegado olhou a cadeira. — Como é o nome dele?

— Ele não diz, Doutor, só para me irritar.

— Tire folga amanhã e vá conversar com nossa psicóloga.

— Ele também, Doutor?

—Sim, vão os dois. Dispensado, Cabo.

Nervosíssimo, o Cabo Elias saiu do gabinete resmungando: — Culpa sua.  Culpa sua!

O delegado respirou fundo e pensou, mais uma vez, em como era difícil a sua profissão. Lidava com toda sorte de distúrbios que mais cedo ou mais tarde acometiam os policiais, mas conseguia solucionar a maioria. Para relaxar, trancou a porta, fechou as persianas e abriu o armário, de onde saíram as gêmeas coreanas com quem fazia sexo alucinado em noites de plantão.

 

 
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domingo, 14 de setembro de 2014

Sobre o riso


 

Mikhail Bakhtin (linguista russo)

[...] o riso tem um profundo valor de concepção do mundo, é uma das formas capitais pelas quais se exprime a verdade sobre o mundo na sua totalidade, sobre a história, sobre o homem; é um ponto de vista particular e universal sobre o mundo, que percebe de forma diferente, embora não menos importante [...] do que o sério; por isso a grande literatura deve admiti-lo da mesma forma que ao sério: somente o riso, com efeito, pode ter acesso a certos aspectos extremamente importantes do mundo.
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sábado, 6 de setembro de 2014

Conservado78




Luci Afonso


Você tem que usar batom vermelho, decote, salto alto. Beijar na boca, fazer sexo, muito sexo — minha terapeuta  recomendou.

— Com quem? — perguntei.

Depois de pensar um minuto, ela sugeriu:

Por que você não experimenta a Internet?

— Você acha seguro?

— Claro! É só mentir. Nada de Skype: é pretexto para sexo virtual. E não esqueça de estudar o perfil antes de fazer contato.

Após uma breve paixão não correspondida por um rapaz bem mais jovem, meu alvo agora eram homens entre quarenta e oitenta anos, que procuravam mulheres na mesma faixa de idade.

Cadastrei-me no site Plus Two, onde se encontram pessoas para amizade ou namoro no Brasil inteiro, incluindo lugares de que ninguém nunca ouviu falar, como Boca do Acre e Maurilândia, no Tocantins.

Em 15 de julho, meu perfil entrou no ar: Bonitona54. Procuro homens entre 40 e 80 anos exclusivamente para relacionamento amoroso.

Recebi o primeiro e-mail do Plus Two:

         Bonitona54, você tem 10 mensagens.

àClique aqui para ler.

Cliquei.

Apesar de ter enfatizado o meu interesse em conhecer homens de Brasília, todas as mensagens eram de outros lugares.

Belarmino68 (Acre)

Tudo bem, querida? Gostei do seu perfil. Vamos conversar no inbox, meu anjo? A gente fica mais à vontade para falar o que quiser.

 Robson49 (Maceió)

Vc é linda, meu amor. Tem Skype? Mande o link. Beijosss deliciososss.

 Aron34 (Turquia)

Tudo boa? Sorriso bonita. Vc solteirra? Eu também solteirra. Ligar webcam. Ver sua corpo.

         Seguiam-se outras sete mensagens, no mesmo teor. Assustei-me: será que todos iam assim direto ao ponto?

         Em 16 de julho, recebi o segundo e-mail:

Wow, Bonitona54! Há muita atividade no seu perfil!

à Clique aqui para conhecer... ele pode ser a pessoa certa para você!

 Examinei a lista. Apenas um brasiliense: Conservado78.

         Apesar da idade limítrofe, a foto de um simpático senhor de óculos e bigode me animou a iniciar a conversa. Nem me preocupei em ler o perfil.

Cliquei.

— Olá, Conservado78.

— Olá, Bonitona54. Você é bonita.

— Obrigada.

— Por nada.

— O que vc faz?

— Sou aposentado. E vc?

— Também.

— Que bom!

—Qual seu hobby?

— Cozinhar.

— O meu também.

— Que bom!

— Qual sua especialidade?

— Massas.

— A minha também!

— Que bom!

—O que vc acha do Brasil na Copa?

— Acho que vai ganhar. E vc?

— Também acho.

— Que bom!

— Vc gosta de Brasília?

— Gosto. E vc?

— Também.

— Que bom!

— Vc é solteiro?

— Viúvo. E vc?

— Também sou viúva.

— Hum. Há quanto tempo vc não...?

— Quatro...

— ...meses?  

— ...anos. E vc?

— Dois...

—...anos?

— ...meses. Vc quer...?

— Quero!

— Te pego às oito.

O estado físico de Conservado78 não fazia jus ao codinome as pálpebras caídas quase tapavam os olhos, as rugas eram tão bem marcadas que pareciam esculpidas.  Tinha uma voz velha, baixa e trêmula, e repetia várias vezes a mesma frase. Pisava na embreagem com tanta força que o carro andava aos solavancos. Durante o trajeto, pus a mão bem próxima da caixa de câmbio para que roçasse a mão dele, mas ele nem notou. No escuro do teatro, esperei que ele tomasse a iniciativa de me abraçar e até beijar, mas niente. Ele estava extasiado com a gritaria no palco esqueci de dizer que assistíamos a uma ópera.

Saímos algumas vezes, Conservado78 e eu. Três, para ser exata, com o mesmo destino: IV Festival de Ópera de Brasília, Teatro Nacional. Na terceira noite, descobri que ele também não lera o meu perfil. Combinamos de fazê-lo assim que estivéssemos em casa. Liguei o computador. Lá estava: Conservado78. Procuro mulheres de boa aparência entre 40 e 80 anos exclusivamente para companhia em apresentações de ópera.  

Imediatamente deletei o perfil dele, o meu e todo o Plus Two. Assim terminou minha experiência de relacionamento na Internet.

Minha terapeuta agora sugere que eu me matricule num curso de dança de salão. Parece que muitos casamentos começam ao primeiro rebolado da salsa e só terminam aos últimos acordes do tango, com uma infinidade de volteios e coreografias. Sem descompassos nem contratempos.

Comentários no Facebook:

Ceres Marylise Rebouças Luci querida: abri o link e li toda a página. Penso que a dança de salão seria a melhor opção. Li também todo o restante da página e lhe agradeço por incluir-me no texto sobre nossa posse na ALB- DF. Beijos com saudade de todos.
7 de setembro de 2014 às 14:10

Rose Rocha Pink Ótima crônica, amiga. Bjks
8 de setembro de 2014 às 09:06

Vânia Moreira Diniz Parabéns pelo blog Luci querida. Adorei!

10 de setembro de 2014 às 23:51

                                                                                                        
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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Posse na Academia de Letras do Brasil - DF

Em 19 de agosto de 2014, tomaram posse cinco acadêmicos imortais na Academia de Letras do Brasil - DF



Paulo César Batista, eu, Presidente da ABL-DF, Vânia Diniz, Lília Diniz, Isolda Marinho e Roberto Klotz



Presidente da ALB-DF, Vânia Diniz




DIPLOMAÇÃO

CONVIDADA, FOI DIPLOMADA PELA PRESIDENTE  DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL, COM POSSE À CADEIRA ALB/DF Nº 42 A  ESCRITORA LUCI AFONSO

  NATURAL DE ARAXÁ, MG, MORA EM BRASÍLIA DESDE 1971. SERVIDORA  APOSENTADA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, ONDE ATUOU POR 25 ANOS NO DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO. GRADUANDA DO CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS – PORTUGUÊS. NA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA VIRTUAL. PUBLICOU TRÊS LIVROS DE CRÔNICAS E CONTOS: VELHOTA, EU?, 2007 (SEGUNDA EDIÇÃO: 2013); O GUARDIÃO DA MANHÃ, 2009, APROVADO PELO FUNDO DE APOIO À CULTURA DO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL; E SENHORA DOS GATOS, 2012, FINALISTA DO 55º PRÊMIO JABUTI DE LITERATURA 2013 NA CATEGORIA ILUSTRAÇÃO E VENCEDOR DO 14º PRÊMIO DE EXCELÊNCIA GRÁFICA JORGE SALIM 2013 NA CATEGORIA DESIGN GRÁFICO. PARTICIPA DE ANTOLOGIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS.

TEM COMO PATRONO RUBEM BRAGA.


COMPROMISSO
COMO MEMBRO VITALÍCIO DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASILD/F, COMPROMETO-ME, SOB A ORDEM DE PLATÃO, UM ESCREVER COMPROMETIDO, EM BUSCA DE DESENVOLVIMENTO SÓCIO-CULTURA, HUMANO E CIVILIZADOR, SOB PRINCÍPIOS ÉTICOS, DE HONESTIDADE E RESPONSABILIDADE, DE UNIÃO, PACIFICAÇÃO, SOCIALIZAÇÃO DE SABERES E ALIMENTOS, COM IGUALDADE DE OPORTUNIDADES INTEGRAIS, ALCANÇANDO TODOS UMA VIDA DIGNA, INDEPENDENTEMENTE DE ORIGENS, LÍNGUAS, FUNÇÕES E GÊNEROS, HARMONIZANDO-SE COM A NATUREZA, NAS NECESSIDADES BIOÉTICAS ESSENCIAIS QUE COMPÕEM O MICRO E MACROCOSMO, ENCONTRANDO NO PLANETA, UMA CÉLULA, DE UM DECIFRÁVEL UNIVERSO EM SINCRONIA, ONDE EU, COMO ESCRITOR, ASSUMO NESTE ATO, IMORTAL RESPONSABILIDADE DE EMPENHAR-ME COM TODAS MINHAS ENERGIAS PARA O CUMPRIMENTO DESTE JURAMENTO.
DISCURSO
O ESCRITOR IMORTAL ROBERTO  KLOTZ. PRONUNCIOU O SEGUINTE DISCURSO  EM NOME DOS ESCRITORES IMORTAIS DIPLOMADOS E EMPOSSADOS.
                                                                               
                                                                                            ROBERTO KLOTZ
BOA-NOITE – TENHO AQUI EM MÃOS UMA LISTA ENORME DE NOMES E, CONFORME O CERIMONIAL DE UM EVENTO DESTA MAGNITUDE E DESTA ENVERGADURA, DEVEMOS CUMPRIMENTAR E AGRADECER NOMINALMENTE A PRESENÇA DE TODAS AS AUTORIDADES, DE TODAS AS PESSOAS IMPORTANTES E DE TODOS OS FAMILIARES. ENTÃO – BOA NOITE TODOS.
FOI COM MUITO ORGULHO QUE RECEBI E ACEITEI O CONVITE PARA SER MEMBRO DESSA SOCIEDADE DE ILUSTRES CULTIVADORES DA ARTE DA ESCRITA. APESAR DOS MEUS CABELOS BRANCOS NAS LATERAIS DA CABEÇA EU AINDA ME CONSIDERO UM MENINO PELO TEMPO QUE ME DEDICO À ESCRITA.
É SABIDO QUE PARA OCUPAR UMA CADEIRA NUMA ACADEMIA DE LETRAS É PRECISO QUE A CADEIRA ESTEJA VAGA E AS CADEIRAS SÓ FICAM LIVRES QUANDO O SENTANTE SE LEVANTA PARA O CÉU CAUSANDO TRISTEZA. MAS AQUI ESTAMOS EM FESTA. A FUNDAÇÃO DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL – SEÇÃO DF É RECENTE, COMEMORA QUATRO ANOS E POR ISSO AINDA HAVIA CADEIRAS VAGAS PARA NOVOS ESCRITORES. ESSE É UM MOTIVO DE GRANDE ALEGRIA, POIS NÃO FOI PRECISO NENHUM COLEGA DA LITERATURA MORRER PARA DESOCUPAR UMA CADEIRA PARA A ISOLDA MARINHO, NEM PARA A LILIA DINIZ, NEM PARA A LUCI AFONSO, NEM PARA O PEDRO CÉSAR BATISTA, NEM PARA MIM, ROBERTO KLOTZ.
É DE PRAXE QUE CADA CADEIRA TENHA UM TITULAR E SIMBOLICAMENTE COM O NOME GRAVADO EM LETRAS DOURADAS NO ALTO DO ESPALDAR DA CADEIRA. O NOME DO PADRINHO É MUITO REPRESENTATIVO, POIS CARREGA O PESO, A RESPONSABILIDADE, O CARMA DA OBRA E DA PERSONALIDADE DO HOMENAGEADO.
ASSIM CADA UM DOS CONVIDADOS A MEMBRO EFETIVO DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL, TEVE O PRIVILÉGIO DE SELECIONAR UM ESCRITOR PARA SIMBOLICAMENTE IMPRIMIR O NOME NA CADEIRA ANTES DE SE SENTAR.
TENHO A HONRA DE APRESENTAR OS NOVOS MEMBROS DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL:
  A POETA ISOLDA MARINHO (VENHA À FRENTE, LEVANTE A MÃO, POR FAVOR) ESCOLHEU PABLO NERUDA PARA PATRONO. O CHILENO PABLO NERUDA É UM DOS POETAS MAIS IMPORTANTES DO SÉCULO XX E ESCREVEU QUE MORRE LENTAMENTE QUEM NÃO VIAJA, QUEM NÃO LÊ, QUEM NÃO OUVE MÚSICA, QUEM NÃO ENCONTRA GRAÇA EM SI MESMO. ESTAS POUCAS PALAVRAS SERIAM SUFICIENTES PARA PINÇÁ-LO A PATRONO. ISOLDA MARINHO POETOU OS LIVROS SEMENTES DE AMORAVIÇO DO VERSO BEIJO DE TANGERINA. ALÉM DA POESIA DESENVOLVEU O PROJETO PRAZER EM LER NAS ESCOLAS EM QUE LECIONOU. NA CÂMARA DOS DEPUTADOS É INSTRUTORA DE REDAÇÃO, LÍNGUA PORTUGUESA E DE ARTESANATO SUSTENTÁVEL.
 TAMBÉM INTEGRA O CORAL DA INSTITUIÇÃO. APRESENTA OS SARAUS DO NÚCLEO DE LITERATURA E É PRODUTORA E APRESENTADORA DO PROJETO CANTO DAS LETRAS.
A POETA LÍLIA DINIZ (LEVANTE A MÃO, PLEASE) ESCOLHEU LEANDRO GOMES DE BARROS PARA PATRONO. LÍLIA É ARTISTA MARANHENSE. FAZ POESIA, INTERPRETA, CANTA E DANÇA COM GRAÇA. FOI ALFABETIZADA E VIROU MOÇA SE ALIMENTANDO DA LITERATURA DE CORDEL. PUBLICOU POESIA NOS LIVROS BABAÇU, CEDRO E OUTRAS POÉTICAS EM TRAMASAO QUE VAI CHEGARMIOLO DE POTE DA CACIMBA DE BEBERSERTANEJARESMULA SEM CABEÇA MUNDO DE MUNDIM. LÍLIA PESQUISA E DIVULGA ORGULHOSAMENTE A CULTURA POPULAR. POR ISSO MESMO SÓ PODERIA TER ESCOLHIDO O PRIMEIRO ESCRITOR BRASILEIRO DE LITERATURA DE CORDEL LEANDRO GOMES DE BARROS PARA PATRONO. O REI DA POESIA DO SERTÃO ESCREVEU QUE NÓS TEMOS CINCO GOVERNOS:
O PRIMEIRO O FEDERAL   /  O SEGUNDO O DO ESTADO  / TERCEIRO O MUNICIPAL  /
O QUARTO A PALMATÓRIA  /  E O QUINTO O VELHO PUNHAL.
 A CRONISTA LUCI AFONSO ELEGEU RUBEM BRAGA PARA PATRONO. LUCI SE APOSENTOU NO DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, MAS CONTINUA ATIVA NA HORA DE ESCREVER CRÔNICAS E CERTAMENTE ESTÁ ULTIMANDO OUTRO LIVRO PARA JUNTAR AOS PUBLICADOS VELHOTA, EU?, O GUARDIÃO DA MANHàE SENHORA DOS GATOS. LUCI AFONSO NÃO ESCOLHEU RUBEM BRAGA. RUBEM ESCOLHEU LUCI NUM SONHO, CONFORME ANOTADO EM SEU DIÁRIO NAS PÁGINAS DE ALGUM SETEMBRO PASSADO.  BRAGA FOI O ÚNICO ESCRITOR BRASILEIRO QUE ESCREVEU UNICAMENTE CRÔNICAS. PELO MODO DE SE EXPRESSAR, COM LEVEZA E LIRISMO, TANTO DE LUCI QUANTO DE RUBEM, PODE-SE DIZER QUE A CRÔNICA É TUDO AQUILO QUE FOR MANCHETE NA ALMA DO CRONISTA.
O POETA PEDRO CÉSAR BATISTA SELECIONOU CARLOS MARIGHELA PARA PATRONO. PEDRO MIMEOGRAFOU POEMAS EM SEIS LIVRETOS USANDO A POESIA PARA CONTESTAR. PROTESTOU DA VIOLÊNCIA DOS LATIFUNDIÁRIOS CONTRA OS TRABALHADORES RURAIS
INTEGROU A VR12 - VANGUARDA REVOLUCIONÁRIA 12 DE OUTUBRO, ATUOU NO MOVIMENTO CAMPONÊS, PARTICIPOU
DE INÚMEROS MOVIMENTOS PELA REFORMA AGRÁRIA. PUBLICOU CONIVÊNCIA E IMPUNIDADE SOBRE A QUESTÃO FUNDIÁRIA; GILSON MENESES – UMA ANÁLISE SOBRE O PRIMEIRO PREFEITO DO PT; MARCHA INTERROMPIDA – UM ROMANCE E EM FORMATO DE POESIACANDEEIRO, SONHOS REAIS E 63 POEMAS DE AMOR.  O PATRONO CARLOS MARIGHELLA FOI FILIADO AO PARTIDO COMUNISTA E TAMBÉM USOU A POESIA PARA PROTESTAR. MARIGHELLA REDIGIU ALGUMAS QUESTÕES SOBRE A GUERRILHA NO BRASIL - UMA HOMENAGEM A CHE GUEVARA E PUBLICOU O FAMOSO MINI MANUAL DO GUERRILHEIRO URBANO.
 O ESCRITOR ROBERTO KLOTZ – NO CASO EU – PODENDO ESCOLHER UM PATRONO SERIA UM GRANDE MENTECAPTO SE NÃO ESCOLHESSE O CRONISTA FERNANDO SABINO. PUBLIQUEI TRÊS LIVROS DE CONTOS E CRÔNICAS – PEPINO E FAROFA, QUASE PISEI! E CARA DE CRACHÁ. TIVE INÚMEROS TEXTOS PUBLICADOS NOS JORNAIS DE BRASÍLIA E EXPONHO ORGULHOSAMENTE NA PRATELEIRA MAIS DE DUAS DEZENAS DE PRÊMIOS LITERÁRIOS. MUITO MELHOR QUE ISSO, O PATRONO,
 FERNANDO SABINO, COLABOROU DIARIAMENTE COMO CRONISTA NO JORNAL DO BRASIL E MENSALMENTE NA REVISTA SENHOR. FOI PREMIADO PELO PEN CLUB DO BRASIL COM O LIVRO DE CRÔNICAS A MULHER DO VIZINHO ENQUANTO O LIVRO O GRANDE MENTECAPTORENDEU-LHE UM PRÊMIO JABUTI. TAMBÉM RECEBEU O PRÊMIO MACHADO DE ASSIS DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS PELO CONJUNTO DA SUA OBRA. PUBLICOU 44 LIVROS, DOS QUAIS 17 DE CRÔNICAS.
 E, FINALIZANDO, APRESENTO A POETA CERES MARYLISE REBOUÇAS VINDA DE ITABUNA, BAHIA, CONVIDADA PARA SER ACADÊMICA CORRESPONDENTE. CERES É PÓS-GRADUADA EM LINGUÍSTICA, LECIONA NA UNIVERSIDADE DA BAHIA, ESCREVE PARA JORNAIS E TEM VÁRIOS LIVROS PUBLICADOS NO BRASIL E NO EXTERIOR.EM MEU NOME E DOS NOVOS IMORTAIS, AGRADEÇO O CARINHO E APLAUSO DE TODOS.
Comentários no Facebook:
 
Tarlei Martins Não poderei estar presente, Luci, mas meu coração estará perto do seu.
16 de agosto de 2014 às 12:50
 
Arisson Tavares da Silva Mega merecido, mocinha. Parabéns!
16 de agosto de 2014 às 12:50
 
Ronaldo Araujo já esperava por isso. Parabéns!
16 de agosto de 2014 às 12:56
 
Francisco Miranda Parabéns!!!
16 de agosto de 2014 às 16:51
 
Nena Medeiros Parabéns, futura confreira!!
16 de agosto de 2014 às 20:50
 
Nestor Kirjner Prefaciador, com muita honra, de "O Guardião da Manhã", vejo a chegada de Luci Afonso à Academia de Letras do Brasil como o reconhecimento a um grande talento de nossa cidade. Parabéns a essa nova e ilustre Confreira!
16 de agosto de 2014 às 21:19
 
Luci Afonso Arisson Tavares da Silva, obrigada pelo "mocinha"!
16 de agosto de 2014 às 21:41
 
Luci Afonso Tarlei Martins, que bom saber disso! Fico muito feliz.
16 de agosto de 2014 às 21:42
 
Nestor Kirjner Próximo livro, Luci Afonso! "Mocinha , Eu???"
16 de agosto de 2014 às 21:42
 
Alexandra Rodrigues Quanta honra! E logo a cadeira de Rubem Braga...Ele vai gostar de saber! Bjim
17 de agosto de 2014 às 10:46





Marco Antunes Luci, você foi uma grande aquisição para nossa academia. Você sempre teve a grandeza do espírito acadêmico. Vê-la imortal dá a reconfortante sensação de que num mundo injusto, o grande talento ainda é reconhecido.

20 de agosto de 2014
 
 

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© LUCI AFONSO| A Crônica Brasileira