Errata


Luis Fernando Veríssimo



Na página 12, linha 16, onde está “Beije-me, desgraçado” leia-se “Deixe-me, desgraçado”.

Na página 13, linha 39, onde está “...da tia de Heidegger” leia-se “...da teoria de Heidegger”.

Na página 28, o trecho que começa com a frase “Na água-furtada da mansão” e termina em “riso incontrolável” está completamente truncado. A segunda linha do trecho — “quando Melissa e Rudy surpreenderam Athos abrindo a barriga do gato” — deve ser a quarta. A quarta linha — “não posso, não posso me controlar! Quando a lua entra no quarto crescente eu começo a minguar e...” — deve ser a terceira. E a terceira — “uma linha de lanceiros se estendia por todo o horizonte” — deve ser de outro livro. No mesmo trecho, onde está “açude” leia-se “açoite” e onde está “reumatismo” leia-se “pragmatismo”. O autor não pode garantir que a ortografia da palavra em sânscrito esteja exata. E o ponto e vírgula depois de “bolor dos séculos”, claro, é ridículo.

Página 111, terceira linha: onde está “com pé lindo” leia-se “compelindo”.

Página 118. O autor não conseguiu localizar exatamente onde está o erro, mas é evidente que ele existe. O Dr. Robão não poderia ter participado do encontro com os conspiradores já que — como o leitor mais atento certamente percebeu — o Dr. Robão morreu de uma embolia no terceiro capítulo. É melhor pular esta parte.

Página 200, da linha 20 até o fim da página. Totalmente ininteligível. Num esforço de memória (pois nem os originais tinha à mão, visto terem sido perdidos — ou jogados fora? — pelo revisor...) o autor conseguiu repor alguma ordem na narrativa. Ludmila não aceita a proposta do príncipe. Declara que prefere morrer a trair seu marido (e não “prefiro Momo a traíra do mar”, como saiu). Expulsa o príncipe da sua cama e o chama de ignóbil (em vez, é claro, de “Igor”). Nas linhas seguintes, como saiu, o leitor terá a impressão de que o príncipe tropeça num anão e cai de ponta-cabeça, pela janela, num canteiro, onde passa a ser cheirado, com interesse, por um unicórnio. Nada disso — desnecessário dizê-lo — acontece. O príncipe veste-se com calma dignidade, acena com a mão e sai (pela porta!) para o corredor, e só então começa a ser cheirado, com interesse, por um unicórnio. Pelo menos, o autor acha que é isto. Aquela frase no final do parágrafo — “Zé, telefona para o Duda” — não tem nada a ver com a história e deve ter sido acrescentada pelo revisor, Deus sabe em que circunstâncias.

Página 301, linhas 3, 12 e 29. Onde está “babalu” leia-se “cabelo”. Onde está “lontra maluca” leia-se “lenta meleca” — quer dizer, até o autor já está fícando confuso, “lentamente” — e onde está “despiu-se alegremente no hall” leia-se “despediu-se alegremente no hall”.

Página 324, da linha 4 até o fim. É Ludmila e não, como parece, o Dr. Robão — que está morto — que diz “O que está em julgamento hoje, senhores, é nada mais, nada menos, do que a tradição moral do Ocidente, a Ética Cristã e a minha massa de empada”. Ela sabe que todos sorrirão, menos o criminoso. Onde saiu “o motor pifou” leia-se “o promotor piscou”. A frase final de Athos, que deveria ser “Eu sou canhoto” — eliminando-o, portanto, como um dos suspeitos — saiu “Eu não sou canhoto”, o que modifica todo o sentido da história. O leitor pode muito bem deduzir que Athos acionou o interruptor, matando Miller e os três cientistas. O que tornará pouco convincente a confissão do príncipe, ainda mais que a sua frase que encerra o livro — “Cavalheiros, fui eu” — saiu “cavalo fuinha”.

No final é ponto e não vírgula.

(A grande mulher nua. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 1999)

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