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Brasília em cordel


Gustavo Dourado: três meses para a produção do livro sobre a cidade



"Brasília tem todo um processo histórico, mitológico, onírico". É o que o autor do livro Brasília 5.0 - antologia de cordel, Gustavo Dourado, destaca sobre o cinquentenário da capital federal, celebrado em cordéis de sua autoria, que contam a história de artistas, pensadores e jornalistas apaixonados pela cidade. Defini-la a partir das experiências de gente profundamente envolvida com Brasília custou a Dourado dias de muito trabalho. "Fiquei escrevendo de manhã, de tarde e à noite durante três meses. Passava pra cada um, que dizia, 'tira isso, inclui isso'. Tem caráter biográfico e de pesquisa", explica o escritor sobre a composição dos textos.

O livro será lançado hoje, a partir das 19h, no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília (ao lado da Rodoviária). Cinquenta nomes da cultura local, entre eles Vladimir Carvalho, Reynaldo Jardim e Paulo Tovar, sintetizam o legado imaterial da ainda jovem capital brasileira.

Baiano de Ibititá, região da Chapada Diamantina, o escritor de 49 anos soma 13 livros publicados, considerando Brasília 5.0, e disponibiliza toda a sua produção literária para download gratuito na internet, em www.gustavodourado.com.br. Além dos volumes, mais de mil cordéis estão disponíveis para leitura.

Gustavo Dourado foi alfabetizado aos 3 anos, por meio de cordéis e da Bíblia. Ele se recorda com carinho do primeiro cordel lido, Juvenal e o dragão, de Leandro Gomes de Barros. Ainda criança, antes de completar 15 anos e se mudar para Brasília, ele também escrevia cartas para pessoas analfabetas. "Aquilo que é visto em Central do Brasil aconteceu comigo", destaca. Na escrita dos textos do novo livro, procurou mesclar poesia popular e erudita. "Considero esse cordel, apesar da influência nordestina, um cordel brasiliense. Pego coisas de Goiás, Minas, da Tropicália, dos modernistas, dos concretistas", comenta.

Em vez de celebrar a arquitetura, tema recorrente nas homenagens, o cordelista usou arte popular para resumir um pouco da sua experiência com a cidade e biografar figuras importantes que participaram da edificação cultural de Brasília. Estudante da UnB nos anos 1970, Dourado diz que ajudou a criar o Centro Acadêmico do curso de Letras e participou da acolhida às bandas de rock no início dos anos 1980.

 
Capa de Toninho de Souza
 
Participantes: Vladimir Carvalho, Neusa França, Reynaldo Jardim, Stella Rodopoulos, Antônio Miranda, Dad Squarisi, José Santiago Naud, Toninho de Souza, Meireluce Fernandes, Elias Daher/Sindescritores, Emanuel Medeiros Vieira, Adison do Amaral, Áureo Mello, Sérgio Waldeck de Carvalho, Áurea Portilho, Terezy Godoi, Palmerinda Donato, Maria Félix, Isolda Marinho, Roberto Klotz, Pinheirinho, Serra Azul, Vânia Diniz, Rômulo Marinho, Dinorá Couto,Leon Szklarowsky, Carlos Porfírio, Jorge Amâncio, Antônio Temóteo, Eileen Guedes, Clotilde Chaparro, Gilma Limongi, Jupyra Ghedini, Márcia Oliveira, Eliana Alves de Campos, Luiz Dias Bahia, Nina Tubino, Madellon, Maria de Lourdes Torres de Almeida Fonseca, Shirlene Morais Rodopoulos,Nestor Kirjner/Coral Alegria, João Ferreira, Ronaldo Mousinho/ALT, José Carlos Ferreira Brito, Luci Afonso, Roberley Antônio, Ildefonso Sambaíba, Roberley Antônio,Anabe Lopes, Nazareth Tunholi, Paccelli Zahler e Luiz Martins*.E em memória de Cassiano Nunes, Ernesto Silva, Oliveira Bastos e Paulo Tovar.

Auditório da Biblioteca Nacional de Brasília
A partir das 19h
23 de abril de 2010