Tempus


Luci Afonso

Tempus:
Sequência soberana que o homem mede para não ser devorado. Pai e filho, deus e seguidor. Tesouro escondido pelo menino antigo no jardim da saudade. Desejo diluído em branca adolescência na imensidão do cosmos. Pulsação ininterrupta em fluxos coloridos e etéreos. Cicatrizes na face ressequida e lúcida da árvore centenária. Sussurro de poemas vazados em ventos de aço. Amarelo sempre-vivo, perpétuo, intacto. Sonho acordado em meio ao redesenho silencioso das nuvens. Lampejo na tarde fresca de junho. Presságio na lua cheia de setembro. Óleo derramado no templo. Escultor cego do arco-íris. Bálsamo para quem ainda tem o caos dentro de si. Traço azul entre delicadezas. Retorno ao ventre mais-que-perfeito. Voo ao infinito pessoal. Burburinho nas estrelas.

  (Texto produzido para a exposição Tempus, no Cefor, de 1º a 26 de março.)
 (Outras fotos em Fotos & Tais, na coluna à esquerda.)

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