Chatinho e ruinzinho


Luci Afonso


Adoro receber comentários maldosos: eles me inspiram a escrever. A resposta pode levar anos — quanto mais madura, melhor —, mas também acontece de vir rápido, sempre na linguagem escrita, em que sou mais fluente.

Há cinco anos, um jovem me chamou de velhota. O incidente rendeu meu primeiro livro. Alguns meses atrás, outro desocupado registrou a opinião de que sou velhota, sim. Grande título para minha próxima obra.

As gentilezas não param. Na semana passada, um nobre comentarista achou meu texto “chatinho e ruinzinho”, ou “ruinzinho e chatinho”, não lembro direito. Tudo bem que não tenha gostado do que escrevi, mas que intimidade é essa? Não somos colegas de bar! Aceito críticas feitas com civilidade, ingrediente que sempre incluo nas minhas. Infelizmente, tanto no mundo real quanto no virtual, gentileza nem sempre gera gentileza. Só nos resta o recurso extremo: recusar comentário.

Quem navega na blogosfera sabe que é difícil postar comentários em qualquer página: é preciso se identificar, fornecer o endereço de e-mail, escrever o texto, confirmar o código de letras e dar o.k. É surpreendente que alguém se dê a todo esse trabalho para dizer merda (desculpem a expressão, só uso em último caso).

De três, todas: chatinha e ruinzinha é a vida do nobre comentarista; é a mãe; é a avó. Com todo o respeito.


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