Ave Marina



Luci Afonso


Ave Marina, cheia de graça. Quando ela chega, os pássaros inauguram o canto, as flores se abrem e os frutos amadurecem, desejosos de serem comidos. Quando ela ri, a manhã se anima.

O Senhor é convosco. Quando ela fala, as violetas pressentem água fresca. Quando ela anda, o vento desperta para brincar com seu cabelo.

Bendita sois vós entre as mulheres. Se ela chora, as lagartas se apressam para virar borboletas. Se ela sofre, as fadas tecem casulos invisíveis para sua dor. Se ela anoitece, os vagalumes a iluminam.

Bendito é o fruto de vosso ventre. Ela sopra, e o céu se liquefaz em bolhas de sabão. Ela respira, e o ar se torna mais puro. Ela cria, e o cosmos se expande.

Santa Marina, mãe do homem. Olhai por nós, Eva moderna. Agora e na hora da nossa sorte também.

(Texto presenteado à minha amiga oculta, Marina, em dezembro passado.)

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